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Marta quer mais mulheres envolvidas na Copa do Mundo

Atualizado em: 09/06/2014

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A brasileira Marta, que deixou uma infância pobre em Alagoas e tornou-se a melhor jogadora de todos os tempos, quer ver mais mulheres treinadoras e árbitras nas Copas do Mundo masculinas.

A menos de uma semana para o início do Mundial no Brasil, a atual atacante do Tyreso FF da Suécia, de 28 anos, pede à Fifa uma oportunidade para as mulheres nos próximos torneios.

Marta Vieira da Silva, eleita cinco vezes a melhor jogadora do mundo, confessa que prefere Cristiano Ronaldo a Lionel Messi e pede aos brasileiros que aproveitem a Copa para mostrar a paixão do país pelo futebol, ao invés de ir às ruas para protestar.

A craque sonha com o Brasil dando “olé” na Argentina na final, no dia 13 de julho, no Maracanã, ou que a seleção pegue o Uruguai na decisão para que possa exorcizar o fantasma de 1950, quando perdeu em casa para a ‘Celeste’ por 2 a 1.

Marta respondeu a diversas perguntas da AFP antes de inaugurar a exposição “Futebol para a igualdade” no Rio de Janeiro, como madrinha da ONG britânica Sreetfootballworld.

 

P: Qual o motivo de nunca ter tido uma mulher árbitra numa Copa do Mundo?

R: “Você precisa perguntar isto para a Fifa. Em várias outras competições há árbitras mulheres e nunca deixaram a desejar, sempre foram muito bem nas suas atuações. Espero que nas próximas Copas do Mundo a Fifa possa pensar melhor e dê oportunidades às mulheres também”.

 

P: A França é o único país do mundo que tem uma mulher no comando de uma equipe profissional de futebol masculino (a portuguesa Helena Costa, do Clermont, da 2ª divisão). Será que um dia uma mulher assumirá uma seleção masculina?

R: “Se uma mulher tem competência para isso, acho que não importa se a equipe é masculina ou feminina. Ela tem que ser cobrada pelo desempenho da equipe, e não por ser mulher. Esta iniciativa (do Clermont francês) é importante para que a gente possa perceber que há coisas positivas acontecendo. Espero que venham outras treinadoras, que (Helena Costa) não seja a única, e sim a primeira de muitas. Muitas mulheres entendem de futebol, não só jogam”.

 

P: Você gostaria de treinar a Seleção brasileira um dia?

R: “Não sei se tenho paciência para isso. Eu sou meio ‘estressadinha’, mas quem sabe, não descarto. Já falei que quando parar de jogar, quero dar continuidade à carreira no futebol em alguma função”.

 

P: Houve muitas críticas na organização da Copa, em função dos atrasos nos estádios e das obras inacabadas. Como você avalia isto?

R: “É um trabalho continuo que não é fácil de fazer. É um evento muito grande que envolve muita gente. Esta situação de atrasos de certa forma era esperada, mas espero que possamos mostrar o trabalho tanto dentro como fora de campo, e que todos que vierem ao Brasil saiam satisfeitos”.

 

P: Você acha que haverá muitos protestos duranta a Copa?

R: “Espero que não. Espero que o povo brasileiro aproveite este momento para curtir a nossa maior paixão, com paz, com muita alegria, com muita emoção, que passem uma imagem positiva para todos os outros países”.

 

P: Você é conhecida com a “Pelé de saias”. Você gosta de ser chamada assim?

R: “Acho que é algo de dar orgulho, ser comparada ao maior ídolo de todos os tempo. Sem dúvida é uma honra para a gente, mas a gente já mostrou que cada um tem condições suficientes para ter seu espaço, tanto no futebol masculino quanto no feminino. Eu espero que a gente possa ter outras referências no futebol feminino para as meninas que querem jogar futebol, não só a Marta”.

 

P: O que você acha da decisão da Fifa de aceitar que jogadoras usem o véu nas competições oficiais da entidade?

R: “É uma religião, cada país tem sua cultura e em alguns países é assim. Se não atrapalhar o desempenho das jogadores em campo, acho que não tem problema. Mas eu acho que é muito mais confortável jogar com roupas adequadas para a prática do futebol”.

Fonte:UOL

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