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Jogos da Copa aumentam o risco de infartos

Atualizado em: 04/06/2014

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Pesquisadores da Universidade de São Paulo (USP) analisaram dados do Sistema Único de Saúde (SUS), de 1998 a 2010, e constataram que houve aumento da incidência de infartos em dias de jogos durante as Copas do Mundo. Ao todo, os estudiosos observaram quatro Mundiais. Tanto é que, no período em questão, o número de internações por problemas cardíacos, por exemplo, chega a aumentar até 16% em partidas da seleção brasileira. Por isso, os jogos da Copa de 2014 servem de alerta para quem já tem (ou teve) um problema cardíaco.

O cardiologista Hélio Castello, diretor da Angiocardio, explica que durante momentos de forte emoção, como o fato de assistir a um jogo da Copa do Mundo, ocorre, sim, o aumento da frequência cardíaca, bem como a elevação da pressão arterial e um maior consumo de oxigênio pelo coração. O também cardiologista Rafael Munerato, diretor médico do Delboni Auriemo Medicina Diagnóstica, conta que a emoção proporcionada durante uma partida de futebol é muito grande. ‘E esta emoção causa uma serie de reações em nosso sistema cardiovascular que, em algumas pessoas, pode sobrecarregar e fazer o coração sofrer’, explica.

Em momentos de ansiedade e excitação, sensação típica em grandes eventos esportivos, ocorre em nosso corpo uma intensa liberação de adrenalina e cortisol que são hormônios relacionados ao estresse. Estes levam ao aumento da frequência cardíaca, pressão arterial e dos níveis de glicose no sangue. Para uma pessoa saudável, o coração vai apenas bater mais rápido.

Porém, no caso de quem tem problemas cardiopatas ou possui fatores de risco, vale o alerta. ‘Nessa liberação intensa de adrenalina e cortisol o coração sofre um aumento do consumo de oxigênio do miocárdio. E isso, se ocorrer em um paciente que já tenha problemas cardíacos, representa um fator de risco para a ocorrência de infarto agudo do miocárdio [músculo que forma a parede do coração] e parada cardíaca’, adverte Rafael.

Ansiedade e excitação

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‘A ansiedade pode causar sintomas cardiovasculares porque ocorre uma liberação maior de catecolaminas [substâncias que aceleram o metabolismo aumentando a frequência cardíaca e a pressão arterial]. Além de provocar contração (espasmos) das artérias com maior consumo de oxigênio e menos oferta. Essas modificações podem levar aos aumentos da pressão arterial e da frequência cardíaca, bem como desencadear o início de arritmias (fortes palpitações). Provoca ainda, em indivíduos com maior predisposição, obstruções coronárias com angina (estreitamento das artérias) ou infarto’, explica o cardiologista Hélio Castello, diretor da Angiocardio.

Perfil do torcedor x risco de infarto

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Hélio explica que há estudos mostrando que durante o período de Copa do Mundo há maior incidência de emergências cardiovasculares nos hospitais dos países que são sedes do Mundial. Mas não há estratificação quanto ao tipo de torcedor mais ou menos predisposto ao risco. ‘Acreditamos que aqueles com personalidade mais emotiva e que se mostram mais ansiosos, eventualmente, estão mais sujeitos ao risco. E, claro, quem tem mais de 65 anos e as pessoas que já têm maior número de fatores de risco cardiovasculares como fumantes, diabéticos, obesos, hipertensos ou possuidores de cardiopatias conhecidas. Estes podem ser mais propensos ao quadro agudo durante a emoção do jogo’, adverte o cardiologista.

Como não ‘sobrecarregar’ o coração durante a Copa?

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‘É importante, independente da Copa do Mundo, que as pessoas tenham conhecimento quanto a sua situação cardiovascular com check-ups frequentes. Além disso, é fundamental evitar o abuso de álcool, fumo, alimentos gordurosos e não deixar de tomar os medicamentos de rotina. Por fim, divirta-se com os jogos e a festa pensando que a vitória ou a derrota em nada mudará a vida dos torcedores. Use aquele momento como uma oportunidade de confraternização e relaxamento onde você pode esquecer, pelo menos durante 90 minutos, dos problemas crônicos’, recomenda Hélio Castello.

Pessoas cardiopatas

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‘A primeira dica é a própria conscientização de que esta situação de risco existe e que vale a pena procurar se acalmar quando a emoção estiver ficando muito forte. Mais uma recomendação: quem já é cardiopata deve evitar outros fatores que podem aumentar o risco, como por exemplo não ingerir bebidas alcoólicas, alimentos e petiscos com muito sal durante as partidas, além de evitar a exposição ambiental ao tabaco’, recomenda o cardiologista Rafael Munerato, diretor médico do Delboni Auriemo Medicina Diagnóstica.

Procure um médico antes da Copa

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Durante o jogo fique atento a sinais como tontura, dor no peito, mal-estar geral e ansiedade excessiva. Caso você perceba estes sinais é bom parar de ver os jogos e procurar um atendimento médico para esclarecer o quadro. Isso porque, adverte Rafael, caso a pessoa sofra uma parada cardíaca junto com o infarto, por exemplo, para cada minuto sem atendimento ela perde 10% de chance de sobrevida. ‘Mas ninguém precisa evitar os jogos’, tranquiliza. ‘Quem tem predisposição a problemas cardíacos deve apenas procurar um médico antes da Copa e iniciar um tratamento se for necessário’, reforça o cardiologista.

Diagnóstico

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A pessoa, num início de um quadro de infarto, deve procurar o hospital o mais rápido possível. Depois disso, o bate-papo com o paciente é essencial para levantar a suspeita de algum sinal clínico do infarto. Quanto maior o tempo perdido, maior o risco. O diagnóstico deve ser constatado o quanto antes e confirmado por meio de um exame clínico associado ao eletrocardiograma e à colheita de enzimas, substâncias que aumentam no sangue quando há necrose de algumas células do coração.

‘Uma vez que essas células morrem, elas liberam as enzimas em grande volume no sangue. Se for constatado que estas substâncias estão em alta dosagem, somada a dor no peito e ao resultado do eletro, você tem confirmado um diagnóstico de infarto’, explica o cardiologista Hélio Castello Junior.

Como ajudar alguém que apresente os sintomas do infarto?

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Enquanto o atendimento médico não vem é preciso agir, e o mais indicado é tranquilizar e aquecer a vítima. Salvo orientações médicas, não dê nada de comer ou beber. E desde que a pessoa não apresente dificuldades para engolir e não seja alérgica, ofereça apenas um comprimido de aspirina, pois previne coágulos sanguíneos. Caso a pessoa desmaie, verifique a respiração e o pulso. Na ausência desses sinais vitais, comece imediatamente os procedimentos de recuperação cardiopulmonar, se souber, ou chame o serviço de emergência. Mas se a vítima for você, procure tossir com força, profunda e prolongadamente, várias vezes. Não se esqueça de inspirar antes tossir. Além disso, procure ajuda para se deslocar rapidamente até um hospital e não dirija!

Fonte:MSN

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