Empreendedorismo

‘Não dependo de ninguém’, diz mulher que vende artesanato em praias da PB

Atualizado em: 03/02/2017

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Independência e amor. Essas são duas palavras básicas quando Camila Alves, de 26 anos, decide falar sobre o trabalho. “Eu amo o que eu faço, não dependo de ninguém”, confessa. Há quatro anos ela aprendeu a fazer acessórios femininos com as próprias mãos. Inicialmente, só para a família. Agora, para o mundo todo. Vende tiaras, turbantes, coroa de flores, sandálias personalizadas e brincos, na orla de João Pessoa e na internet.

As peças de Camila já conheceram São Paulo, Rio de Janeiro e a Argentina. Casada e com três filhos, ela nunca trabalhou com outra coisa, sempre foi apaixonada pelo artesanato. A renda não sustenta a família, mas ela garante que ganha, por mês, mais que um salário mínimo. Em dias de festas na cidade, como a Festa da Padroeira, Camila consegue faturar, pelo menos, R$ 500 por noite.

O trabalho ela faz para ter a própria renda, mas sem dependência. Trabalha na orla de João Pessoa e em casa, fazendo produtos por encomenda. Camila aprendeu o passo a passo na internet e foi aperfeiçoando as técnicas, sempre ligada com a tendência que a moda pede no momento.

Parte do dinheiro que recebe ela reverte em materiais para vender mais acessórios, como cola, tesoura, flores e brilhos. O restante, investe em si mesmo e nos filhos. No verão, as vendas crescem consideravelmente, mas não é o que pensa o amigo de trabalho que, durante a conversa, passa por Camila e dispara: “Os turistas já apareceram hoje?” Ela responde: “Tá fraco hoje, visse? Meu movimento é mais de noite”. Ele responde e sai: “Não tem turista mais não”.

Rotina e talento
Ela organiza o banco da praia com destreza. Em um isopor, fixa as tiaras que prometem fazer sucesso no carnaval de 2017. “Eu amo fazer esse trabalho, me sinto satisfeita e realizada”, confessa.

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Chega na orla às 15h, organiza tudo e só vai embora às 23h. O transporte é o ônibus. Coloca dentro de um carrinho de feira todos os produtos e volta sozinha, sem temer a insegurança. “Trago tudo em um carrinho de feira, na mão. Eu gosto mesmo, não é porque eu preciso”, diz. O sonho agora é fazer um curso de artesanato para aperfeiçoar ainda mais as técnicas com os acessórios. Tinha o sonho de ser mãe, mas já realizou por três vezes.

Os preços são acessíveis e muita gente para porque se encanta com as tiaras. Com R$ 10 no bolso, já é possível levar qualquer um dos produtos expostos. Começou fazendo algumas tiaras de bebês que, para ela, é mais fácil, e depois foi moldando o seu talento, fez brincos e tiaras e hoje personaliza até sandálias. “Os turistas gostam porque lá onde eles moram quase não tem essas coisas”, declara.

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Enquanto nenhum cliente para, interessado nos acessórios, Camila aproveita para fazer mais peças. Usa do tempo livre da noite também para produzir.  A mesa é o banco da praia, que fica colorido com todos os produtos expostos. Uma mistura de mar, verde e cores enfeitam as vendas de Camila.

“Quando eu estudava, sempre gostei de criar. Sempre gostei de desenhar, inventar. Esse é realmente o meu trabalho”, reflete. Aprendeu com 22 anos e hoje prefere esse trabalho do que qualquer outra coisa. A carteira assinada seria, para Camila, uma prisão. “Aqui a gente faz o nosso horário e não escuta aborrecimento de patrão, além de que eu tiro muito mais em dinheiro”, declara.

Fonte: G1 Paraíba

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