Empreendedorismo

Mulheres se destacam no comando de startups e franquias

Atualizado em: 05/11/2014

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Elas estão cada vez mais presentes no mercado de trabalho: ocupam cargos importantes e posições de liderança, desempenham, muitas vezes, funções tipicamente masculinas e, concomitantemente, ainda assumem o papel de provedoras de suas famílias. Engana-se, no entanto, quem imagina que isso é o bastante. Aumenta a cada dia o número de mulheres que deixam de ser empregadas para ter o próprio negócio, seja se aventurando no mundo das startups ou nos das franquias. Hoje, no Brasil, cerca de 45% dos pequenos negócios são administrados por mulheres. Elas também são a maioria entre os novos empreendedores.

Os números comprovam a realidade. Dados da pesquisa Global Entrepreneurship Monitor (GEM) mostram que 52% dos empresários com menos de três anos e meio de atividade são do sexo feminino, enquanto que levantamento feito pelo Instituto Brasileiro de Qualidade e Produtividade (IBQP) revela que, nas Regiões Sul e Norte, em 57% das empresas com menos de três anos e meio as mulheres estão na chefia. Na região Centro Oeste, o percentual é de 56% e, no Sudeste, de 51%. Já no Nordeste, elas estão no comando de 49% das empresas com este perfil. Ainda de acordo com a pesquisa do IBQP, as mulheres sulistas são as mais empreendedoras do país: no Sul, a maior parte dos novos empreendimentos (52%) são comandados por elas.

Agora elas desejam alçar outros voos, e em um espaço predominantemente masculino: o mercado de investimentos. A participação das mulheres neste mercado, apesar de pequena, vem ganhando força. Para Junior Borneli, vice-presidente de negócios e relacionamento do Angels Club, o interesse feminino pelo mundo dos negócios cresce a cada dia, até mesmo, nos clubes de investimentos.

— Observamos o crescente interesse de mulheres investidoras que desejam prospectar novos negócios, fomentando o empreendedorismo no Brasil.

Mulheres conquistam o universo das startups

Por outro lado, afirma, há também aquelas que desejam sua independência financeira, e buscam para o seu negócio um investidor que possa efetivamente colaborar para o bom desempenho do empreendimento. Segundo pesquisa publicada pela Dow Jones VentureSource, mulheres com este perfil e que estão no comando de startups, por exemplo, podem fazer o negócio ter mais sucesso. Nas empresas ouvidas pela pesquisa, 1,3% tem mulheres como fundadoras; 6,5%, como CEOs; e 20%, como executivas. O estudo descobriu que a proporção média de executivas em empresas de sucesso é de 7,1% e de 3,1% naquelas sem sucesso. Isso, segundo os pesquisadores, mostraria que as empreendedoras podem potencializar a gestão e melhorar os resultados. Ainda de acordo com o levantamento, as chances de sucesso aumentariam com mais mulheres à frente do negócio. Em startups com cinco ou mais mulheres, 61% são bem sucedidas, enquanto que em 39% não deram certo.

Para Borneli, a explicação deste sucesso tende a ser uma: as características tipicamente femininas:

— Alguns atributos fazem toda a diferença no mundo dos negócios. As mulheres são multitarefas, ou seja, conseguem realizar com maestria, várias coisas ao mesmo tempo. São mais sensíveis, habilidosas, detalhistas e cautelosas. Isso tudo é vantajoso para o universo corporativo. Elas são, realmente, excelentes empreendedoras e merecem cada vez mais incentivos neste mercado.

Segundo o executivo, foi avaliando este cenário e acreditando nesta tendência que o Angels Club, clube privado de investidores que busca democratizar o acesso de empreendedores a investidores potenciais, abriu um canal diferenciado em sua plataforma exclusivamente para que as mulheres investidoras tenham um contato mais próximo com novos projetos, ideias e startups cadastradas. Hoje, o número de mulheres investidoras já totalizam 10% do total de cadastros na plataforma.

— As mulheres têm um olhar diferenciado para o negócio, atentando-se ao detalhe e à sensibilidade aguçada, qualidade fundamental para a gestão de um negócio — destaca Carlos José Semenzato, presidente da SMZTO Holding de Franquias, grupo que tem 50% de suas franquias lideradas por empreendedoras.

Desempenho além das expectativas também nas franquias

Só no setor de franchising, 42% de todos os franqueados brasileiros são mulheres. Elas ganharam no início do ano um comitê na Associação Brasileira de Franchising. E tem mais: a gestão feminina é superior à liderança masculina. De acordo com pesquisa da consultoria Rizzo Franchise, franquias lideradas por mulheres faturam 34% mais do que as comandadas por homem. O estudo indica, ainda, três fatores que impulsionam esse resultado: elas participam de programas de treinamento, estão dispostas a aprender e possuem uma boa relação com os funcionários, evitando rotatividade de equipe.

Rebecca Cristina Stafocher, dentista e franqueada da OdontoCompany em São Paulo, segue à risca essa cartilha. Sócia de quatro unidades da rede de clínicas odontológicas e com planos de crescimento, Rebecca preocupa-se com a satisfação dos funcionários.

— Invisto nos meus funcionários porque sei que eles felizes fazem a diferença na minha clínica — comenta.

Só em 2013, a participação feminina no setor de franquias aumentou 25%. E, embora pesquisas mostrem que os setores mais propensos a terem mulheres no comando seja o de beleza e cosméticos, muitas já estão entrando em áreas dominadas pelos homens, como varejo, alimentação e especializados. É o caso da arquiteta Leticia Carames, que há cinco meses abriu uma unidade da Praquemarido, rede especializada em serviços de manutenção, reparos e reformas, no Rio de Janeiro.

Letícia já trabalhava na área, mas o volume de trabalho não era tão satisfatório. O objetivo, ao investir em franchising, foi justamente aumentar a clientela. Inserida num setor predominantemente masculino, ela não se intimida e leva na esportiva as brincadeiras de alguns clientes:

— Eles costumam falar que eu peguei o lugar que deveria ser do homem, mas tudo em tom de brincadeira.

Mas, além da tão sonhada independência financeira, o que leva essas mulheres a abrir um negócio próprio? Autonomia, flexibilidade nos horários e a possibilidade de estar mais presente na rotina da casa e dos filhos são fatores determinantes para que as mulheres empreendam, mesmo trabalhado mais.

É o caso de Rebecca, que antes de ter seu próprio negócio e ter liberdade de fazer o próprio horário, já tinha uma carga horária de trabalho bastante intensa:

— Agora tenho mais tempo com a família. Você acaba trabalhando mais, mas os horários você é quem faz, o pique é diferente. É um tempo com mais qualidade.

 

Fonte: O Globo

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