Empreendedorismo

Empreendedoras da Paraíba se destacam no cenário nacional

Atualizado em: 06/04/2014

mulheres

empresaria1Thaís Fernandes iniciou seu negócio de personalização de presentes na Paraíba,                           sem investir R$ 1 (Foto: Divulgação / Edvan Diniz)

No primeiro trimestre de 2014, a Paraíba conquistou três premiações nacionais voltadas para mulheres empreendedoras com representantes do Litoral, Cariri e Sertão. O empreendedorismo, os diferenciais na oferta de serviços e a criatividade foram fundamentais, segundo as três paraibanas premiadas para conquistar o reconhecimento nacional.
Kassya de Freitas foi a mais recente ganhadora do Prêmio de Competitividade para Micro e Pequenas Empresas (MPE Brasil 2013), na categoria Serviços de Saúde por conta do reconhecimento do seu laboratório de análises clínicas, instalado em Patos. No mês de fevereiro, a produtora rural Maria de Fátima Barbosa de Camalaú, no Cariri, ficou com o primeiro lugar na categoria nacional do Prêmio Sebrae Mulher de Negócios e Thaís Fernandes de Araújo, de João Pessoa, conquistou o segundo lugar como empreendedora individual no mesmo prêmio.

Investimento zero
Sem R$ 1 real de investimento, a então estudante do ensino médio Thaís Fernandes resolveu produzir presentes personalizados para amigas. Da descoberta do talento para lidar com produção de objetos, ela descobriu que levava jeito para empreender. Com 15 anos, ela abriu uma página para Presentes Especiais em uma rede social. O sucesso foi tão grande que, três anos depois, ela lançou sua loja virtual.
A receita do sucesso era simples: com o valor dos 50% de adiantamento do pagamento, Thaís custeava a compra dos materiais e produzia as peças sob encomenda. “Eu resolvi abrir uma empresa sem um real no bolso para investir. Em dois anos eu já tinha vendido para boa parte do Brasil e com três anos de criação atendi todos os estados, mais as cidades de Miami, Dubai e Ilha da Madeira. Eu tive que freiar o marketing em 2011 para poder investir em qualificação”, afirmou.
A consciência de que cometeu erros por não ter um plano de negócios nem experiência com atividades comerciais fez com que Thaís Fernandes fosse em busca de capacitação. Esse foi o fator impulsionador para ela ingressar no curso de Designer e Produtos da Universidade Federal da Paraíba e nove anos depois do primeiro produto feito e vendido ela está na pós-graduação em Gestão de Projetos. “Eu não tinha ninguém na família com experiência nesse tipo de mercado como referência. Acertei errando, mas fui em busca de qualificação”, disse.

Criatividade e formação qualificada
A saída encontrada por Thaís Fernandas para driblar a falta de conhecimento foi usar da criatividade. A primeira iniciativa foi pedir orientações a uma artesã sobre técnicas de impressão de imagens em produtos. Depois, Thaís passou a elaborar os projetos das peças e entregar nas mãos de artesãos para produzi-las em couro, MDF e vidro. O resultado foi a ampliação de produtos disponibilizados na loja virtual.
De 2005 até 2014, a loja comercializou mais de 5 mil objetos como abajur, caixa para vinho, canecas, caixas, quadros e travesseiros. Para atrair públicos diversos que buscam produtos personalizados, os preços também variam: de R$ 20 até R$ 200. “Vi que as pessoas queriam dar presentes diferenciados e percebi que esse mercado podia ser explorado”, frisou.
A percepção sobre o mercado atual faz Thaís projetar para o futuro um novo desafio: quer tornar a loja a maior referência de loja virtual no segmento. Paralelo a isso, quer investir mais em assessorias para melhorar os produtos e o negócio gradativamente.
Classificada como Empreendedor Individual e contando com apenas um funcionário, ela planeja transformar a empresa numa startup e criar alternativas práticas para conquistar novos clientes: aplicativos para dispositivos móveis. A meta em médio prazo é quintuplicar o faturamento mensal em dois anos. “Estou reformulando meu plano de negócios e desenvolvendo novos projetos para chegar a essas metas”, enfatizou.

empresaria2Maria de Fátima Barbosa reuniu as mulheres da comunidade, no Cariri da Paraíba, para beneficiar o peixe que era rejeitado no mercado local (Foto: Aline Oliveira / G1-PB)

Valorização da cultura local
Em Camalaú, no Cariri, a 282 km da capital, a produtora rural Maria de Fátima Barbosa encontrou na cultura da traíra, um peixe típico da região, um diferencial para aumentar a oferta do peixe na região, aglutinar mulheres em torno do produto vendido sem as espinhas e o aumento da renda em até 25% de 30 mulheres.
O exemplo de Maria de Fátima Barbosa foi reconhecido como a experiência mais importante para o Prêmio Sebrae Mulher de Negócios na categoria Produtora Rural. “Conquistar um prêmio desses faz a gente perceber que foi uma inovação e esse reconhecimento é uma oportunidade das pessoas que não sabiam descobrirem nosso trabalho”, disse.
A luta diária de Maria de Fátima Barbosa é motivada por um desejo de transformação da cultura local. Há cerca de 20 anos, a traíra foi substituída nas feiras livres e mesas dos moradores de Camalaú pela tilápia. Com o trabalho de beneficiamento do peixe, Maria de Fátima Barbosa conquistou parte do mercado local e, aos poucos, o produto está voltando para os lares locais.
“A gente está conseguindo mudar os hábitos das pessoas daqui ao voltar a consumir a traíra que é um peixe nativo da região. Mas, hoje o nosso maior desafio é que a estiagem não atinja os reservatórios e a produção de peixes”, disse.
Há cinco anos Maria de Fátima dava os primeiros passos com outras quatro pescadoras para transformar o beneficiamento da traíra em uma atividade rentável para elas e para a economia local. Atualmente, as produtoras rurais utilizam um anexo na Colônia de Pescadores da cidade para a carga horária de doze horas semanais distribuídas em dois dias de trabalho focado na lavagem do pescado, na retirada das espinhas, no processo de embalar e acondicionar.
Mesmo diante do reconhecimento nacional e do resultado contábil garantido com as vendas, Maria de Fátima diz sonhar grande e quer, em médio prazo, que o produto seja fornecido para hipermercados e rede hoteleira. Atualmente, um convênio firmado com o poder público municipal garante que duas escolas públicas sejam abastecidas com o pescado beneficiado. “No futuro a gente quer ter licença para poder vender em maior escala e abastecer hipermercados e hotéis”, frisou.

empresaria3Kassya Freitas Melo venceu o MPE Brasil 2013 (Foto: Divulgação/Sebrae)

Descentralização de serviços garantiu reconhecimento
Em Patos, no Sertão da Paraíba, a farmacêutica bioquímica Kassya Freitas conseguiu em oito anos ampliar o raio de atuação do sue laboratório de análises clínicas para dezesseis cidades da região, ampliar o universo de clientes de 3 mil para 100 mil por mês e conquistar o primeiro lugar na categoria Saúde do Prêmio de Competitividade para Micro e Pequenas Empresas (MPE Brasil 2013).
A receita para esse reconhecimento, segundo Kassya Freitas, é seguir à risca o planejamento feito desde a criação do laboratório em 2006, o investimento em qualificação profissional da equipe e a compreensão das necessidades dos clientes.
Em oito anos, o laboratório ampliou de cinco para 35 funcionários e Kassya saiu da bancada de análise clínicas para encarar de vez toda a parte administrativa. O resultado desse trabalho garantiu a ampliação do laboratório, que conta com quatro pontos de coleta em Patos e mais doze nas cidades.
Para dar suporte a todas essas cidades, o Lab Vita adquiriu um veículo para agilizar o recolhimento do material nos pontos de coleta. “Percebemos que a população ficava desassistida porque o acesso de várias dessas cidades durante anos era de barro e os laboratórios ficavam mais distantes. Com esses postos de coleta garantimos um serviço de qualidade para uma população no entorno de Patos”, afirmou.
Kassya Freitas reforça que o binômio avaliação-planejamento mensal dá a ela e a equipe uma visão global dos problemas, desafios e potencialidades a serem exploradas pela empresa. “Realizamos todo mês uma reunião com prestação de contas dos pontos de coleta, os dados da ouvidoria, identificamos as insatisfações e planejamos melhorias. Muitas das nossas metas são apontadas nessas reuniões movidas a ideias dos nossos funcionários. Inclusive, nessas reuniões apontamos quais formações e qualificações serão realizadas pela equipe”, afirmou.
A qualidade no atendimento é apontada pela empresária como diferencial para manter o laboratório bem avalizado pelos clientes. “A equipe tem que estar motivada para prestar um serviço de qualidade. O diferencial é compreender o paciente não como alguém que deixa dinheiro na empresa, mas como um ser humano que precisa ser respeitado e valorizado”, frisou.

Fonte:G1

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