Na Suécia, loja de roupa incentiva doação de roupa velha. É consumo consciente.

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Na Suécia, loja de roupa incentiva doação de roupa velha. É consumo consciente.

Uma sacada que merece ser registrada. A marca de roupas sueca “Uniforms for the dedicated” criou um jeito simples e prático para incentivar os clientes a doarem uma peça de roupa antiga sempre que comprarem uma nova. A própria sacola utilizada na compra da roupa nova funciona também como um envelope para a doação. Quando chega em casa, a pessoa pode virar a sacola pelo lado avesso e colocar lá dentro uma peça usada para ser doada. Ali mesmo, no envelope, já tem as opções das instituições que estarão na lista para serem beneficiadas. É só marcar um X e pôr no Correio, sem nenhum custo para quem está doando. A notícia saiu no site Ciclo Vico.

A iniciativa é da agência DDB de propaganda de Estocolmo, e o vídeo promocional que apresenta a peça fala sobre aquilo que todos nós sabemos, mas que nunca é demais repetir: muitas vezes compramos coisas as quais não precisamos. O resultado disso é um armário cheio demais que, volta e meia, tem que ser esvaziado para… encher de novo. Esse consumismo exagerado compõe o cenário de um modo de vida insustentável, não só por não levar em conta a mordida severa que a civilização atual vem dando no meio ambiente. O que não serve mais é jogado fora, na maioria das vezes, e não se tem muito tempo ou espaço ou disponibilidade para pensar o que acontece depois. Os lixões são o espelho disso.

Já há algum tempo eu fiz uma entrevista com uma atriz de televisão que me falou que sempre que comprava um sapato, doava um mais velho. Achei a ideia simpática e passei a fazer o mesmo com sapatos e bolsas. Quando li sobre essa iniciativa da empresa sueca, pensei nisso. E, buscando refletir sobre o consumo, esse mal/bem de nossa época, colhi alguns dados que divido com vocês.

No site do Instituto Akatu de Consumo Consciente há a informação de que o Programa das Nações Unidas para o Meio Ambiente (Pnuma) lançou, na semana passada, um plano global para incentivar o consumo consciente.

Liderado pelos governos da Alemanha e Indonésia e a organização Consumers International, o Programa de Informação do Consumidor vai fornecer informações detalhadas sobre todos os produtos para que a população possa ter consciência sobre os impactos sociais e ambientais causados por suas compras.

E é com informação que essa campanha vai funcionar, porque para esclarecer os consumidores e estimular a mudança dos hábitos de consumo, o programa produzirá análises de produtos ao longo do ciclo de vida, desde a extração do recurso para fazer o produto até seu descarte. Essas informações serão repassadas a governos, entidades certificadoras, empresas e ONGs que poderão utilizá-las não só para criar políticas públicas como para aprimorar gestões. O que não impede que cidadãos comuns tenham acesso aos dados, também para dar outro rumo aos seus planos de consumo.

É bom lembrar que desde a Rio+20 o Pnuma vem ganhando força junto às Nações Unidas, o que dá um peso político maior à campanha.

No site do Instituto Akatu de Consumo Consciente, uma das primeiras organizações não-governamentais a focar o tema aqui no Brasil (foi criada em 1998, na esteira da criação do Instituto Ethos de Empresas e Responsabilidade Social), há uma pesquisa sobre consumo e bem-estar. Foram feitas 800 entrevistas entre homens e mulheres acima de 16 anos em quase todo o país e, a se considerar se o dito pelas pessoas se equivale àquilo que elas realmente sentem, já está mais do que claro para grande parte dos consumidores que SER não é TER. E que consumir além do necessário não traz felicidade para ninguém.

No livro “História das coisas”, de Annie Leonard, publicado no Brasil pela Ed. Zahar em 2010, a autora lembra que uma pesquisa feita em 1957 com os norte-americanos apresentou os mais altos níveis de satisfação e felicidade: cerca de 35% das pessoas que moram na nação mais rica do mundo se declararam felizes. Annie faz a comparação com os dias atuais, quando os americanos, embora ganhem mais dinheiro e tenham mais possibilidade de compras do que no passado, já não se consideram tão felizes. Hoje, diz ela, um quarto dos norte-americanos diz não ter ninguém com quem trocar sobre seus problemas pessoais.

“Um relatório de 2007 revelou um aumento de 15% no índice de suicídios entre adolescentes no período de 2003 a 2004, porcentagem recorde nos últimos quinze anos. O uso de antidepressivos triplicou entre 1994 e 2004. As dívidas dos consumidores aumentam numa taxa duas vezes maior do que suas rendas, de acordo com o Census Bureau. Em 2005 os americanos tinham aproximadamente 832 bilhões de dólares em dívidas de cartões de crédito, e a estimativa era de que esse montante fosse só aumentar”, diz a autora.

É claro que o cenário deve ter piorado bastante depois da crise. De qualquer forma, outros estudos que Annie Leonard registrou em seu livro levam para a desconstrução da crença universal de que fazer umas comprinhas sempre levanta o moral. No entanto, é bem possível que este sentimento ainda seja partilhado por grande parte da população global.

Observem que a loja sueca que cito no início do texto não está desestimulando o consumo. O que a campanha faz é uma espécie de adaptação, de mitigação do impacto: já que precisam que as pessoas comprem, decidem provocá-las a dividir um pouco mais aquilo que têm de sobra. Em outros tempos, seria um pensamento religioso. Hoje, é necessário para suscitar algum tipo de mudança no modelo atual. No mínimo, os lixões ficariam menos abarrotados se os objetos, em vez de serem descartados, simplesmente mudassem de mãos.

É isso e é um pouco de “tudo mais” que pode provocar a transformação que se quer para uma sociedade mais sustentável, digamos assim. David Boyle e Andrew Simms, autores do livro e criadores do site “The New Economics” acrescentam outras ideias, algumas pouco práticas, mas eu gostar de imaginar como seria se fossem executadas. Por exemplo: se os trabalhadores abrissem mão de uma parte do tempo de seu trabalho, mais gente poderia ser empregada e mais tempo de lazer sobraria para se ter mais qualidade de vida.

“Sim, isso reduziria nosso dinheiro. Mas, ao mesmo tempo, reduziríamos também a quantidade de coisas que compramos. Uma transição embaraçosa, mas necessária”, dizem eles. Então, não é?

Fonte: G1

Cristiani Meller
Cristiani Meller, Analista Financeira e Gerente Comercial do Portal Mulher de Fato.

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