Cotidiano

Os micos da gravidez

Atualizado em: 09/02/2014

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Você já se imaginou entalada entre dois carros no estacionamento do shopping? E que tal lutar com as meias de compressão num banheiro minúsculo de avião? Ou, pior, se distrair a ponto de guardar o celular na geladeira? Sim, episódios inusitados como esses acontecem na gravidez, mas nem sua melhor amiga fala deles. Aqui, algumas mulheres revelam as sinucas de bico que enfrentaram. Divirta-se e prepare-se para sair das saias justas com muito bom humor

Louca por um banheiro

É verdade: você irá muito mais vezes ao banheiro, e a vontade de fazer xixi nem sempre surgirá nos melhores momentos. “Comigo aconteceu no meio de um congestionamento na rodovia Castelo Branco. Eu precisava muito urinar e comecei a dirigir pelo acostamento feito louca. Claro que o guarda me parou! Quase chorando, eu disse que ia fazer xixi na calça e que, sozinha e com um barrigão, não conseguiria sequer agachar escondida atrás de um matinho. Resultado? O guarda foi na frente de moto, me escoltando pelo acostamento, até chegar ao posto da polícia para eu usar o banheiro”, lembra a publicitária Andréia Maria Abud, 39 anos, de São Paulo, mãe de Cauê, 7 anos, e de Theo, 3 anos.

O que você pode fazer – Evite congestionamentos e, se possível, não tome água uma hora antes de sair para o trânsito. No sufoco, o jeito é pedir ajuda às autoridades.

Primeiro eu!

Gozar dos direitos que a lei reserva para as grávidas devia ser algo supernatural, mas muita gente ainda não aprendeu a respeitar a situação. “Na fila de prioridade do supermercado, uma senhora chegou ao caixa quase ao mesmo tempo que eu, mas fui a primeira. Mesmo vendo minha barriga, ela não se conformava em ceder a preferência e ficou me encarando, indignada. Dava a impressão até de que eu não tinha o direito de estar ali. Não bati boca, mas também não cedi o lugar. Afinal, ela nem era tão velhinha assim!”, conta a jornalista Liana Mazer, 30 anos, de São Paulo, mãe de Alice, 3 anos.

O que você pode fazer – Use os seus direitos e não tenha vergonha. “As transformações da gravidez criam necessidades diferenciadas, que precisam ser respeitadas”, afirma o obstetra Carlos Eduardo Novaes, chefe clínico da Maternidade da Santa Casa da Misericórdia do Rio de Janeiro. “Não é fácil carregar um bebê, dá dor nas costas… Grávidas merecem regalias”, diz Liana.

Pronta para a briga

No primeiro trimestre, o corpo fica meio quadrado: a cintura desaparece, mas a barriga ainda não cresceu o suficiente para perceberem que você está grávida. Foi nessa fase de transição que Andréia comprou uma briga sem motivo. “Eu estava na fila da pipoca do cinema quando a atendente gritou: ‘A grávida lá do fim da fila pode vir para a frente. Eu atendo a senhora primeiro’. Sei que grávida tem prioridade, mas eu não estava tão barriguda assim nem sou uma senhora. Além disso, fiquei com vergonha de todo mundo virar e me olhar com aquela cara de ‘coitada da grávida, enorme e cansada’. Comecei a discutir. Perguntei se estava me chamando de gorda, se pensava que eu não conseguia ficar de pé esperando a pipoca e blá, blá, blá”, lembra ela.

O que você pode fazer – Lembre que a gravidez mexe com o humor e vigie-se para não se alterar além da conta. Antes de ficar brava, tente analisar a situação com calma. Além do mais, você está grávida mesmo. Por que se ofender se alguém reconhece isso?

Malditas meias

“Quando estava grávida de seis meses, fui para a Disney. Antes de eu enfrentar o avião, minha médica fez várias recomendações, e uma delas foi para usar meia-calça de compressão durante o voo. Bom, quem já usou sabe a dureza que é pôr e tirar essas meias, mesmo para ir ao banheiro. Como sentia vontade de fazer xixi a cada dois minutos, logo me imaginei naquele microbanheiro de avião, com um barrigão, lutando para ajustar a meia. Foi quando tive uma ideia brilhante! Resolvi fazer um corte na meia, próximo à virilha, para não precisar baixá- la Detalhe: como ela comprime tudo, minha virilha e coxa ficaram esmagadas, formando uma montanha de pele que saltava pelo buraco. Ou seja, minha solução infeliz só piorou o incômodo: eu não tinha outra para substituir e ficar sem estava fora de cogitação”, diz a publicitária Jacqueline Burin, 33 anos, de São Paulo, mãe de Catarina, 5 anos, e Caroline, 2 anos.

O que você pode fazer – Deixe para testar soluções e produtos novos em casa. Imprevistos não são bem-vindos.

Cadê o mundo cor-de-rosa que me prometeram?

A maternidade não é apenas glamour e plenitude. “Existe um lado cheio de desconfortos físicos e psicológicos. Mas as mulheres evitam reclamar dele, com medo do que os outros vão pensar”, afirma a psicóloga Heloísa Capelas, especialista em desenvolvimento humano do Centro Hoffman, em São Paulo. Não se sinta sozinha, porém, se aquele estado de graça inicial ficar abalado pelas dificuldades que surgem nesses nove meses. O segredo é aprender a conviver (de bom humor) com as mudanças. “Contar com o apoio do marido e levar uma vida ativa e saudável ajuda a manter o equilíbrio físico e psíquico”, diz o obstetra Carlos Eduardo Novaes, da Maternidade da Santa Casa da Misericórdia do Rio de Janeiro.

Fonte: Revista Claudia

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