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Elogiar demais pode prejudicar seus filhos

Atualizado em: 02/06/2015

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Para os pais, os filhos são sempre especiais. A gente adora ficar dizendo isso o tempo todo para eles. Apesar de ser uma delícia comemorar cada nova conquista dos pequenos, deve-se ficar de olho para não exagerar nos elogios. Segundo Patricia Souza Delfini, psicóloga e mestre em saúde pública, incentivar o respeito pelo outro é tão importante na educação das crianças quanto reforçar os pontos positivos de seu comportamento, sabia? “Isso contribui para um desenvolvimento saudável”, pontua a especialista. Aprenda a colocar isso em prática com nossas dicas.

Afeto em primeiro lugar

Ser consciente de seu valor e de suas qualidades é fundamental para que os pequenos saibam lidar com as frustrações e se sintam seguros. Mas, ao contrário do que muitos pais pensam, a autoestima de uma criança não é construída apenas através de elogios. “Ela também depende das demonstrações de afeto e da boa comunicação entre a família”, alerta Patricia. Muitas vezes, um beijo surte mais efeito do que palavras. “Estimular a autoestima na infância por meio do afeto e do apoio contribui para que a criança se torne um adulto mais confiante”, completa a especialista. Além disso, para que elas tenham uma imagem positiva de si mesmas é necessário que desenvolvam a própria autonomia. Para isso, é preciso colocar limites, conversar sobre o que é certo e o que é errado e oferecer apoio para que consigam alcançar seus objetivos.

Do jeito certo

Os elogios devem ser feitos somente quando os adultos se sentirem motivados a prestigiar uma atitude da criança, sem mentir nem exagerar. Afinal, deixar o elogio para situações que realmente mereçam só vai valorizar seu uso. “Elogiar demais pode pressionar o pequeno a manter o bom desempenho ou o bom comportamento sempre para não decepcionar os pais. Isso poderá dificultar a forma como ele lida com suas falhas e limitações”, alerta a psicóloga. Em compensação, desmerecer o aprendizado também não é o ideal. Comparar seu filho mais velho ao mais novo, por exemplo, é desrespeitar sua personalidade. Ele aprendeu a amarrar o sapato sozinho? Diga: “Que bom que você conseguiu, parabéns!” e não “finalmente você aprendeu, hein? Todos os seus amigos já sabiam”. Isso vai magoá-lo!

 

Não se engane

Algumas vezes, uma atitude egoísta e violenta pode não significar autoestima elevada, muito pelo contrário. Quando uma criança começa a ficar briguenta, a ter problemas de convivência com os colegas de turma e não consegue mais dividir brinquedos e materiais, por exemplo, pode ser que ela esteja com a autoestima baixa, ainda que na maioria das vezes as pessoas enxerguem isso como uma atitude de quem “se garante” sozinha. “Em alguns casos, a postura grandiosa pode estar apenas camuflando uma autoestima bastante frágil”, alerta a psicóloga. Nesses casos, é bom investigar as causas com a ajuda de um profissional. O que ocorre em algumas situações é o tiro sair pela culatra, ou seja, os pais exaltam as qualidades dos filhos para que eles se sintam confiantes, mas as crianças acabam ficando dependentes dos elogios. E, quando eles não vêm, atitudes violentas podem ser comuns.

Eu me amo!

Assim que o bebê nasce, os pais ficam totalmente à disposição dele para satisfazer todas as suas necessidades, antes mesmo que demonstre que precisa de algo. Por exemplo, a fralda é trocada antes que ele chore incomodado pelo xixi. Ao menor sinal de choro: colo e chupeta! Por isso, ao longo da infância é normal que as crianças pensem que os adultos são capazes de adivinhar o que se passa em sua cabeça e que estarão sempre por perto para resolver qualquer problema. À medida que vão ficando maiores, os pequenos precisam aprender que não são o centro do universo e que as outras pessoas também têm necessidades e desejos. É papel dos pais deixar isso bastante claro para que eles não cresçam pensando que são melhores ou mais importantes que os demais.

Fonte: Da redação com MdeMulher

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