Denise Lemos

Denise Lemos

Diretora Executiva do Portal Mulher de Fato, CEO Up Branding Marketing Digital, CEO Startup 28Dias.

Empreendedorismo: a experiência da maternidade

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Minha trajetória empreendedora, minha história de amor, as experiências da maternidade e a maioria dos acontecimentos relevantes em minha vida foram uma grande surpresa! Pensando sobre isso acredito que estive preparada para todos esses “sustos”, pois nenhum passou por mim sem deixar sua marca de amor ou de dor… E aprendi muito com todos esses encontros de alegria, angustia, medo, êxtase, tristeza ou duvida…

Encarei meu encontro com a maternidade como missão e dádiva.  Não esperava e nem estava preparada. Mas quem está?  Sabia que tinha instinto maternal, porque até pouco tempo meu irmão ainda me chamava de Mainha. Mas na vida adulta, esse instinto foi esquecido por outras prioridades e dedicação total a minha vida profissional. Confesso que também estava muito desenganada com as minhas escolhas amorosas (famoso ‘dedo podre’… rsrs), por isso filho estava fora de cogitação! Mas Deus conhecendo minhas limitações, tratou de me arranjar Meu Amor (um lindo amor!!!) e assim fiquei mais próxima da possibilidade de ter um filho.

Um dia, minha mãe chamou a mim e a minha irmã e disse: “Uma de vocês está grávida.”. Para meu “azar” minha irmã estava menstruada. Tenho respeito, ou melhor, enorme medo desses “repentes” de mamãe. Escondida de todos e mor-ren-do de medo fui fazer o exame de sangue. No final do dia, partilhei com Meu Amor esta benção, com rosas e o envelope, e fomos à missa agradecer pelo presente e entregar as nossas vidas, pois a partir daquele momento nos transformamos em uma família. E sentia que tudo ia mudar…

Eu, Mariana, minha filha linda, e toda a família sofremos muito em seu nascimento. Ela teve sofrimento fetal. Para ela vir ao mundo eu tive dois partos: normal e Cesário. Durante o procedimento do parto, perdi as contrações, embora visse Mariana coroada através das lentes dos óculos da obstetra. Foram mais de 8 horas de luta até ela chegar aos meus braços. Foi um encontro emocionante de duas mulheres que lutaram e enfrentaram o impossível para se encontrarem face-a-face. Não tenho palavras para descrever esse encontro e nossa cumplicidade.

Como se não bastasse o nascimento difícil, estava vivendo um momento delicado e conturbado de minha vida, devido aos desafios profissionais e financeiros que estava enfrentando. Mariana era meu lastro emocional, minha inspiração, minha fortaleça. Quando eu fraquejava, pensava nela, em nossa relação e experiência de amor e todos os problemas se tornavam pequenos e sem relevância. Foi uma loucura conciliar meu trabalho com a maternidade… Durante seis longos meses, para sair de casa tinha 3 horas de autonomia, pois teria que retornar para amamentar Mariana. Obvio que sempre havia uma mamada no congelador, para os imprevistos…

Seis meses depois do nascimento de Mariana, outra novidade… Isso mesmo, apesar da minha infertilidade (devido aos ovários polimicrossiticos), de estar amamentando e ter uma vida sexual quase monástica… Me informaram que estava grávida… Sim, fui informada… Pedi ao Meu Amor que trouxesse um exame de farmácia para gravidez, porquê estava chorando até com propaganda de carro. Nunca aguardei tanto uma urina matinal… Como estava atribulada de atividades, sai correndo para cumprir a agenda do dia, não deu nem tempo de ver o resultado do teste. No almoço, me informaram e brindamos a mais uma dádiva de Deus em nossas vidas, nossa filha GIOVANA.

Fiquei radiante!!! Embora também preocupada (ai começar tudo de novo…), culpada (Mariana era ainda tão dependente), com medo (como vou dar conta de duas? Nem sabia cuidar de uma criança sozinha…) e ainda estava me recuperando do trauma do parto. Mas desejava mais uma FILHA, sim desejava mais uma menininha. Inconscientemente, projetava a minha relação fantástica com minha irmã na relação de minhas filhas. Sem nem saber se seria uma menina, ou não. Mas minha intuição, desta vez, estava certa e nasceu GIOVANA. Ela foi tudo, que sem saber, estava faltando em minha vida. Me trouxe equilíbrio, resiliencia e ternura

Nesta ocasião, meu drama não foi durante o parto (obviamente, cesário; embora contrariasse o meu desejo, mas traquilizava toda a família.), e sim no pós-parto. Tive reação à anestesia. Sentia dores descomunais (DOR!!! eu descobri o que é dor… já havia sentido a lendária dor do parto… mas essa era in-des-cri-ti-vel!) e como se não bastasse, meus pontos inflamaram, meus seios partiram, ou seja, senti tudo que conhecia e não conhecia em matéria de pós-parto. Por conta desta realidade, não acompanhei a queda do umbigo de Giovana e suas primeiras semanas, que não foram nada românticas… Mas mesmo assim, ela cativava em mim uma imensa alegria, completude e sensação constante de realização e felicidade!!!

Óbvio que a esta altura os negócios iam de mau a pior. Invariavelmente, as mães nos primeiros meses perdem produtividade profissional, embora adquiram outras habilidades tais como dormir por curtos e constantes momentos, amamentar enquanto responde aos e-mails, se ordenhar enquanto analisa um relatório, dormir como pedra e acordar alerta com uma tosse vinda do quarto das crianças, tornar-se ambidestra e aguçar todos os sentidos, especialmente o sexto sentido.

Não tive direito (de fato) à licença maternidade. Após o nascimento de Mariana, embora com as adversidades vividas, assumi compromissos e dirigia desde o 20º dia do resguardo. Depois da vinda de Giovana, bastou passar as dores e fazer a pulsão dos pontos, e já estava em atividade (quinze dias depois do parto). Continuei trabalhando no mesmo ritmo frenético (e com duas filhas com menos de 2 anos de vida, e amamentando-as). Ufa! Sobrevivi!!!! Mas descobri que eu não era Mulher Maravilha

Então chegou o momento de tomar uma difícil e importante decisão. Optar por fechar minha empresa de mais 7 anos num difícil mercado ou dar dignidade a mim como mãe e atenção devida aos meus tesouros. Me questiono, isso é escolha?!?! Não pude fechar minha empresa… Não tive coragem! Tinha responsabilidades com colaboradores (e suas famílias), clientes e fornecedores… Tinha feito um belíssimo trabalho até aquele ponto… Com a maternidade tão aflorada, no intimo, sentia aquela empresa como se fosse uma obra-prima ou um filho, fazia parte de mim…

Persisti!… Remodelei o meu negócio, diminui o tamanho da empresa, instalei Home Office, dispensei uma babá e assumi a minha posição de mãe presente, e óbvio, minha posição de dona-de-casa. Tudo isso gerou perdas e também muitos ganhos… Acompanho os momentos únicos e importantes na vida de minhas filhas (retiradas das fraldas, as primeiras palavras, as autênticas tiradas, coloco-as para dormir, ouço sobre seus sonhos e pesadelos, levo-as para tomar sol, sou a catequista e a educadora delas). Não sabia que a rotina de uma mãe com duas filhas, fosse tão intensa, atlética, feliz e gratificante.

Me reinventei juntamente com elas… Tenho certeza que nossa vivência me tornou uma pessoa infinitamente melhor, mais feliz, mais realizada e focada na essência de minha existência. Quando não temos filhos não imaginamos nossa vida COM eles, depois que os possuímos, não imaginamos nossa vida SEM eles. Contudo, compreendo em absoluto quem decide por não ter filhos… Mas para mim, por todas as provações que passei, tenho certeza que sem tamanha alegria dentro de casa, sem o cansaço dos duros ofícios de cuidados, sem o êxtase do sentimento de maternidade, não teria conseguido passar por todas as tribulações… Valeu a pena… Filhas, amo vocês incondicional, eterna e abundantemente. Não há nada mais eterno que essa verdade.

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