Denise Lemos

Denise Lemos

Diretora Executiva do Portal Mulher de Fato, CEO Up Branding Marketing Digital, CEO Startup 28Dias.

Do primeiro sutiã a gente esquece, mas da primeira ladeira…

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Como publicitária, lembro-me do sucesso da propaganda da Valisére, do publicitário Washington Olivetto “O primeiro sutiã a gente nunca esquece”. Alguém lembra? O vídeo mostrava uma adolescente que via as amigas usando sutiã, todas mocinhas. E ela que não usava sutiã, sentia-se envergonhada, até que um belo dia ela ganhou a tão esperada peça de lingerie, vestiu, se admirou e assim se sentiu mulher. Com toda sutileza, delicadeza e beleza de ser mulher. Confira o vídeo:

Mas o que isso tem a ver com os meus pedais? Com a minha história da bike? Tudo! Por vários dias eu pedalava até o pé da ladeira do Cabo Branco, olhava o pessoal subindo e dali eu voltava e pensava: “Um dia serei eu.”

E esse dia chegou. Era um belo dia de sol e eu me preparava para mais um dia de pedal. Capacete, luvas, short adequado, tudo pronto.  Destino: Estação Ciência. Desafio do dia: subir a ladeira do Cabo Branco. Para quem não é de João pessoa, essa ladeira é malvada para os pedais e para as corridas, o Sr. Google pode mostrar melhor para quem se interessar.

Bem, voltemos; o fato é que eu estava ansiosa para subi-la, meus primos e tio davam força, “Bora você vai conseguir, deixa de ser mole!” E eu fui…

Vários pensamentos vinham à cabeça. “Ai meu Deus! Será que consigo?!” Força Lorena, pra que tanta perna? ”“ Respire fundo, você vai conseguir, você vai conseguir.”

E lá estava ela, magnânima! Imponente e a meu ver GIGANTE! Socorro! Para tudo.

Tinha um detalhe, aliás alguns, as catracas da bike. A instrução era “Coloque na mais leve, se ligue na coroa e na catraca. “ Han? Como assim? Eu lá sabia o que era coroa e o que era catraca? Se aumentava ou diminuía, eu ia passando as marchas e sentindo. Se fosse a mais leve, pronto era nessa marcha que eu ia subir!

A história de coroas e catracas explico melhor em outro post, não é complicado. Mas pra mim naquele momento, era grego! Regra: Nunca use grande com grande e pequeno com pequeno. Ou seja, nada de coroão e catracona!

Bom, minha estratégia era colocar na marcha mais leve e subir, e assim eu fiz, entre catracas e coroas lá estava eu no começo da ladeira, pedalando sem parar…Colocando toda força que eu tinha. Gente, vocês não imaginam, 40 metros de ladeira se transformavam em quilômetros, não tinha fim! E eu não tinha força e nem fôlego para continuar, parei!

Isso mesmo, parei, em mais da metade da ladeira, morta de cansada e então subi empurrando a bike. Ah! E nem se assustem, empurrar a bike no início não é vergonha, faz parte.

Cheguei lá em cima, tomei água e subi na bicicleta, eu ainda estava cansada e devagarinho fui pedalando… Eis que surge ao meu lado esquerdo, aquela vista linda! O mar completamente azul, a orla de João Pessoa brilhava à luz do sol, respirei fundo e agradeci. Um visual como aquele valeria mil vezes aquela subida. E assim foi a minha primeira ladeira, nunca vou esquecer a sensação de cansaço e depois a bela vista como recompensa. Valeu muito a pena! E toda semana eu subo essa ladeira, atualmente, subo tranquila, sem parar e nem morrer de cansaço. Me sinto a própria mocinha do comercial do sutiã; segura, determinada e pronta para a ladeira. E não canso de admirar a paisagem, o lugar onde o sol nasce primeiro.

Minha primeira ladeira foi um misto de desafio, vontade e recompensa ao final. Do primeiro sutiã eu esqueci, mas dessa ladeira… Impossível!

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