Mayara Almeida

Mayara Almeida

Psicóloga Clínica de Base Analítica, pelo Centro Universitário de João Pessoa - UNIPÊ - CRP 13/5938, atendendo, atualmente, em consultório, crianças, adolescentes e adultos. Especialista em Gestão de Pessoas pelo Instituto de Educação Superior da Paraíba – IESP. Foi aluna especial do mestrado em Psicologia Clínica, na Universidade Católica de Pernambuco - UNICAP. Colaboradora de programas de TV e rádio em emissoras locais. Membro do grupo de escritores Sol das Letras (João pessoa/PB). Escritora no blog: www.mayaralmeida.blogspot.com. Autora e colaboradora de livros que apreendem conhecimentos e informações para apreciadores da psicologia e da literatura romântica: Cuidando do Ser Humano - Diversidades (2014); Entre Nós e Laços (2013); No Compasso do Amor (2011) e Psicanálise e Clínica com Bebês: Sintoma, Tratamento e Interdisciplina na Primeira Infância (2010).

Como falar sobre sexualidade com a criança?

sexo

Reconheço que cada pessoa tem sua maneira de lidar com o assunto: uns pais mais naturalmente, outros mais embaraçados. O que importa mesmo é sempre falar a verdade, considerando a capacidade de entendimento de seu filho. Devemos buscar responder dentro do universo verbal da criança, precisamente o que perguntou, sem ir além do necessário.
Não há uma idade exata para iniciar uma conversa sobre sexualidade, o importante é que os pais estejam atentos à curiosidade da criança e à capacidade cognitiva dela, ou seja, o quanto ela deseja saber sobre o tema e até onde ela conseguirá compreender. Portanto, é a criança quem vai sinalizar o momento da primeira conversa.
Normalmente quando a família resolve falar com a criança sobre sexo antes que ela própria esteja disposta a entender, vai haver um atropelamento de interesses e, possivelmente, a criança não apresentará interesse sobre o assunto por muito tempo ou, despertará para o assunto de forma precoce.
O tema “sexo” não precisa ser proibido e pode ser abordado com naturalidade. É importante para a formação dos filhos que os pais respeitem o interesse sobre o assunto.
A erotização do assunto está na cabeça do adulto, quando na verdade, é parte de uma necessidade natural do ser humano. Se desde pequeno os pais tentam compreender e orientar a criança, os vínculos estarão mais fortalecidos e os pais serão vistos como fonte de confiança.
O contato com o próprio corpo faz parte da descoberta infantil e do aprendizado. Frases como “tira a mão daí”, “isso é sujo”, “isso é feio”, precisam ser evitadas. A situação muitas vezes pode até ser constrangedora, sobretudo quando ocorre na frente de outras pessoas, mas fazer alarde só estimulará o ato. Respire fundo e explique que existe local certo para fazer isso, sozinho, e não na frente dos outros. Esta explicação não deve ser feita de maneira repressiva, mas com base em diálogos e estabelecimento de limites.
Antes de explicar, é essencial perguntar o que a criança já sabe sobre o assunto. Muitas vezes, ela se satisfaz com uma resposta curta, sem muitos detalhes, porém, caso isso não aconteça, é preciso haver espaço para questionar mais, a naturalidade dos adultos no momento da conversa deixa a criança à vontade para fazer outras perguntas e matar a curiosidade. Além disso, é importante usar uma linguagem compreensível e responder a tudo.
A pergunta aponta uma inquietação da criança e necessita ser explicada, no entanto, se você perceber que não vai conseguir dar uma resposta na hora, fale à criança que precisa pensar e que voltará a falar com ela mais tarde e, lembre-se de cumprir o combinado.
Discutir o assunto dentro de casa só traz benefícios, pois informa a criança e, a tornar mais preparada para lidar com a própria sexualidade. Esse fato foi confirmado por um estudo realizado pelo departamento de pediatria da Universidade de Montreal, no Canadá. A pesquisa apontou que filhos que dialogam com os pais sobre sexo tendem a iniciar a relações sexuais mais tarde, e ainda, a apresentarem menos parceiros durante a vida. Entretanto, os jovens que não discutem com os pais o assunto, são duas vezes mais sexualmente ativos, além de apresentarem mais probabilidade de praticar o ato com parceiros aleatórios.
Algumas dicas podem ser válidas:
1. Não fuja das perguntas que as crianças fazem;
2. Antes de responder, pergunte o que a criança sabe sobre o tema;
3. Responda com franqueza, mas somente aquilo que a criança pergunta;
4. Busque responder dentro do universo verbal da criança;
5. Tenha cuidado com o que fala, respeite a idade e a percepção da criança;
6. Não force a barra se o filho não quiser falar sobre sexo, espere ele questionar;
7. Busque tratar do assunto com muita naturalidade, entendendo que é um processo normal.
O “ideal” é buscar acolher a curiosidade infantil sem deixar a criança incomodada. O nervosismo, muitas vezes demonstrado pelos pais, pode gerar insegurança na criança para lidar com o assunto no futuro.

Psicóloga Mayara Almeida
CRP 13/5938

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