Denise Lemos

Denise Lemos

Diretora Executiva do Portal Mulher de Fato, CEO Up Branding Marketing Digital, CEO Startup 28Dias.

Bicicleta: A face feminina da liberdade

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Começo o artigo de hoje com a seguinte citação: “Penso o seguinte sobre andar de bicicleta: ela fez mais pelas mulheres do que qualquer coisa neste mundo.” Essa sábia frase foi dita por: Susan B. Anthony, feminista do séc. XIX que lutou pelos direitos das mulheres.

Imaginem, naquela época uma mulher andar de bike; época onde pensar sobre direitos iguais no trabalho ou salários estava muito distante. Bicicleta para mulheres?!Era algo inimaginável. Para que andar de bicicleta? Resposta simples: elas queriam simplesmente sair de casa, se sentirem um pouquinho livres. Seria pedir demais? 

Sim. Era pedir muito, mulheres não podiam andar de bicicletas, pois eram consideradas frágeis demais, claro, as mulheres frágeis eram as que podiam ser frágeis. Dependendo da classe social. Era bem assim, as de classes mais baixas estavam na labuta e muitas delas ajudando as senhoras dos lares frágeis com os seus afazeres. Fica claro então, que o conceito de fragilidade caminha junto com o de dependência, subserviência.

Mas saiamos de conceitos e histórias, vamos à prática! Mulheres naquele tempo usavam roupas que pesavam até 3 kg, imaginem pedalar com estas vestimentas. Quase impossível! E mesmo assim elas iam. Voltando… No séc. XIX a onda da bicicleta explodiu.

Em 1880, um dos primeiros grupos de ciclistas, chamado League of American Wheelmen, possuía 40 membros; em 1898 já reuniam quase 200.000. Andar de bicicleta era tão comum que em 1896, o The New York Journal of Commerce avaliou que o hábito estava custando aos cinemas, restaurantes e outros negócios mais de 100 milhões de dólares por ano. (fonte: www.autoclassic.com.br)

Então, andar de bicicleta passou a ser mais natural e o desejo das mulheres tornou-se ainda maior. Teria chegado a hora de darem uma voltinha? Sim. Desde que estivessem cientes que ao pedalarem teriam que lidar com três fatores: O peso das roupas, de ser apontada na rua como uma mulher sem virtude ou morrer de cansaço. Tirando isso, estava tranquilo. Uma das primeiras soluções; usar o “bloomers”, roupa horrorosa, que pareciam bermudões. Mas isso era de menos, e lá iam elas com seus bermudões, sendo criticadas e até mesmo barradas em alguns lugares públicos. Isso não importava, o que fazia diferença era a volta no quarteirão, o vento no rosto, a liberação da endorfina, a sensação de liberdade e prazer.

Vestimenta bifurcada chamada "bloomers" – (fonte: www.autoclassic.com.br

Uma das primeiras ciclistas foi Emma Eades, mulher que nunca desistiu da bicicleta, lutou por roupas mais confortáveis, mais curtas e mesmo tendo sido atingida por tijolos, não desistiu. Grupos de mulheres foram surgindo e descobriram o benefício da pedalada. A bicicleta simbolizou a liberdade de um modo profundo, as mulheres se sentiam vivas.

Em comemoração ao nosso dia, trouxe um pouco da relação das mulheres com a bicicleta. Ela é coisa de mulherzinha sim. Hoje podemos pedalar e sermos admiradas. Certo dia estava pedalando com meus primos e um amigo deles resolveu ir com a gente. No caminho ele me perguntou: “O que você colocou nessa bicicleta?” Eu respondi:“ Nada. “ E ele então concluiu: “ Quando me disseram que o pedal seria de leve, que íamos com uma prima do meu amigo, vim tranquilo, já que iria pedalar com uma mulher. Mas agora estou vendo que não tenho seu pique, estou morto.”

Com isso quero dizer o que? Que nós temos força o suficiente para pedalar. Para pedalar e sermos femininas, para pedalar e sermos bonitas, para pedalar e sermos admiradas, mais que isto, sermos respeitadas.

Nunca pensei que fosse fazer uma reflexão tão profunda em meus primeiros dias de pedal, hoje sou viciada em tudo o que a bike me proporciona e em tudo o que me transformei após ser adepta da bicicleta. Com roupas femininas, justas, confortáveis, garrafinhas/squeezes legais, bikes estilizadas, capacetes fofos e tudo o que temos direito. Pedalar é coisa de mulher, alguém duvida?

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