Martha Gabriel

Martha Gabriel

Diretora de tecnologia da New Media Developers. Coordenadora e professora do curso de MBA em Marketing da HSM Educação. Palestrante internacional ministrando apresentações nos Estados Unidos, Europa e Ásia. Autora de 4 livros, inclusive o best seller “Marketing na Era Digital“. Reviewer da LEA – Leonardo Electronic Almanac, MIT.

As Mídias Sociais e a Gestão da Carreira Profissional

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Com a disseminação do uso de plataformas de redes sociais online, cada vez mais as pessoas compartilham suas informações pessoais e profissionais nesses ambientes. As empresas, por sua vez, têm adotado como prática cada vez mais freqüente consultar os perfis dos candidatos como parte do processo seletivo de contratação — a entrevista de emprego começa nas mídias sociais. Monitorar colaboradores também tem se tornado tão comum por parte das empresas quanto monitorar o mercado e seu público-alvo.

Dessa forma, os profissionais devem cada vez mais prestar atenção às informações que postam online e usar esses recursos como aliados estratégicos em suas profissões. Pensando na gestão de carreiras, apresento a seguir algumas dicas de como atuar nas mídias sociais procurando obter o melhor resultado profissional.
– Tipos de problemas que os perfis em redes sociais podem trazer a um profissional

Alguns dos principais problemas resultantes do uso incorreto de perfis em redes sociais são: a) exposição da privacidade, b) comprometimento da imagem profissional e c) declarações sujeitas a processos legais.

No primeiro caso — privacidade — dependendo do tipo de informação que a pessoa expõe sobre si mesma, pode lhe trazer riscos pessoais. No ano passado, após o lançamento do Facebook Places (em que as pessoas dizem onde estão, no estilo Foursquare), foi presa uma quadrilha que usava essas informações para fazer assaltos nos USA. Escritórios de advogados têm monitorado declarações de pessoas específicas nas mídias sociais para usar essas informações em processos contra essas pessoas (como por exemplo, um ex-cônjuge que alega não ter recursos para pagar uma pensão maior, mas tuita que está fazendo uma viagem caríssima ou jantando em um lugar além das suas possibilidades declaradas). Assim, é importante pensar no tipo de informação que compartilhamos nos nossos perfis e por quais motivos estamos fazendo isso.

No caso de comprometimento da imagem profissional, as pessoas declaram coisas em seus perfis que contradizem o que se espera delas profissionalmente. Por exemplo, funcionários já foram demitidos por faltarem ao trabalho por alegarem que estavam doentes, mas no mesmo dia postarem em seus perfis que estavam curtindo ou passeando em algum lugar. Pessoas que participam em sites de redes sociais de grupos “eu odeio trabalhar” ou “eu odeio o meu chefe”, dificilmente serão contratadas. A sua imagem no ambiente digital, tanto pessoal como profissional, é construída por meio das informações que você divulga em seus perfis.

No último caso — declarações sujeitas a processos legais –, muitas vezes as pessoas se esquecem que a lei que rege o mundo offline vale igualmente no mundo online. Portanto, calúnia e difamação, exposição de informações confidenciais das empresas, etc., podem ser consideradas ilegais tanto quanto o seriam no mundo offline. Existem milhares de casos de processos dessa natureza em função de comportamento inadequado no ambiente digital.

– O que se deve evitar publicar nos sites de redes sociais

Deve-se ter no comportamento online o mesmo cuidado para divulgar informações, ou ainda maior, que se tem nos comportamentos offline. Se você não falaria algo no meio da praça para todo mundo ouvir, não fale tampouco nas mídias sociais. Se você não sairia despido ou bêbado na rua, não se apresente nessas condições nas mídias sociais. O cuidado deve ser ainda maior no ambiente digital online porque se no ambiente offline você se expõe apenas para as pessoas que estão no mesmo espaço físico que você, no ambiente digital você está potencialmente exposto para todas as pessoas – milhões delas.

– Monitoramento de colaboradores e candidatos a vagas

O monitoramento em mídias sociais é uma das mais valiosas ferramentas de pesquisa de mercado e inteligência de negócios. Monitorar colaboradores e candidatos, tanto quanto o público-alvo e concorrentes, já uma prática comum em empresas, tanto grandes quanto pequenas, e é uma estratégia bastante saudável. Apesar de um dos primeiros perfis que são monitorados ser o do LinkedIn (que tem foco no profissional), as empresas estendem a sua pesquisa para outras redes de forma geral. Faça um teste e digite o seu email no site SPOKEO.com e veja o resultado — os seus rastros digitais são transformados em um dossiê que revela muito sobre você. Isso é apenas um exemplo de ferramenta que pode ser usada gratuitamente para pesquisar pessoas na internet, não apenas nas mídias sociais, mas no ambiente digital como um todo. Existem inúmeras outras ferramentas como essa disponíveis online.

Dessa forma, o profissional deve pensar muito antes de postar qualquer coisa online — cada busca no Google, clique em anúncios, uma chamada no Skype, doações, comentários, etc. — são fragmentos pessoais que contribuem para o seu dossiê digital que constrói a sua imagem – pessoal e profissional – que pode atuar tanto a seu favor como contra você.

– O que um perfil em rede social representa

Um perfil online representa a pessoa no ambiente digital. Não é uma segunda vida, e sim uma continuação da sua vida offline — é parte integrante e cada vez mais importante dela. A sua vida digital é também a sua vida real, não existe separação, existe continuação. No entanto, da mesma forma que na sua vida offline você separa os âmbitos privado e público, você deve fazer o mesmo no ambiente digital. O problema é que muita gente ainda não entendeu que o ambiente digital normalmente é público e que é necessário um esforço ainda maior que nos ambientes offline para fazer essa separação entre informações de perfis públicos e privados. No entanto, essa separação é fundamental para a construção de imagem. Você é tão bom quanto o conteúdo que produz – tanto online quanto offline.

– O bom e mau uso das mídias sociais

As plataformas digitais são apenas plataformas, tecnologias, e toda tecnologia é neutra – não é boa e nem ruim. O que faz uma tecnologia ser boa ou ruim é o uso que fazemos dela. O fogo pode ser usado para te ajudar — aquecer, cozer — ou pode te matar. O mesmo acontece com qualquer tecnologia. Dessa forma, se você usar as plataformas digitais corretamente, você poderá alavancar muitas oportunidades profissionais. Se usar de forma inadequada pode se prejudicar muito.

Já falamos bastante do mau uso, e vamos citar alguns bons usos. Por exemplo, se você é especialista em uma área específica, você pode usar os seus perfis em mídias sociais para se tornar referência nessa área por meio de divulgação de informações e dicas nessa área. As possibilidades de você alcançar um número grande de seguidores ou assinantes e impactar uma grande quantidade de pessoas interessadas no seu assunto são extremamente maiores no ambiente online do que offline. Outro exemplo de como extrair benefícios é ter e manter um perfil atualizado e bem construído no LinkedIn. Hoje, como mencionei anteriormente, esse é o primeiro local onde as empresas pesquisam. Além disso, é onde as pessoas procuram parceiros profissionais e contatos para negócios, representando uma grande oportunidade. Vídeos e apresentações interessantes que você possa publicar online sobre a sua área de expertise e que ajudem as pessoas em suas vidas também são ótimas oportunidades para montar negócios ou ampliar a sua atuação profissional – veja o caso da Khan Academy, que se iniciou como um projeto pessoal e já recebeu doações espontâneas de 1 milhão de dólares de Bill Gates e 2 milhões de dólares do Google. No ambiente digital, as boas ideias e ações conseguem visibilidade e apoio de forma muito mais rápida e espontânea.

– Algumas dicas importantes para os profissionais que têm perfis em redes sociais

• Conheça as plataformas e as características de cada uma delas antes de começar a usar — teste primeiro de forma não pessoal e depois use de forma pensada, dominando não apenas comandos, mas principalmente os conteúdos. Twitter, Facebook, LinkedIn, Youtube, SlideShare, etc., são diferentes e para usar corretamente é necessário publicar conteúdos diferentes e adequados em cada um deles, com objetivos diferentes e ritmos diferentes.

• Não comece a usar tudo de uma vez – inicie por uma plataforma, ganhe expertise nela e aí vá conquistando as outras de forma planejada.

• Não faça ou fale nas plataformas online o que você não faria ou falaria na rua (local pública), a menos que você use perfis privados, que funcionam como a sua casa.

• Antes de postar qualquer coisa, pense duas vezes e pergunte a si mesmo o motivo e o benefício que aquela informação poderá trazer. É interessante também checar se o que você vai postar passa pelos três crivos da peneira de Sócrates: verdade, bondade e utilidade. Se uma informação não for verdadeira, boa e útil, pergunte-se o motivo e o benefício que ela trará ao ser divulgada e, então, decida se deve ou não divulgar.

• Jamais seja anti-ético! No artigo “Quem com #FAIL fere, com #FAIL poderá ser ferido“, são abordadas mais a fundo as questões da ética e o quanto cada post que você faz fala muito sobre você.

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