Cidadania

Amor e sexo, e o direito das mulheres

Atualizado em: 08/03/2017

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O programa semanal, apresentado por Fernanda Lima e que tem como assunto principal o sexo, também aborda outros assuntos do cotidiano, sempre trazendo discussões relevantes para a sociedade. O amor e Sexo tem estado em alta nas redes sociais por tratar temas como machismo, homofobia e sexualidade, mas hoje vamos comentar o programa sobre o feminismo. Leia a matéria na integra abaixo.
De sutiã queimado aos direitos das mulheres: 6 questões urgentes na volta de Amor e Sexo

Na noite de quinta-feira (26), foi ao ar mais uma edição do programa “Amor e Sexo”, da TV Globo. Na sua reestreia, a temática foi o direito das mulheres – ou aqueles que ainda não conquistamos. “Hoje vamos falar sobre nós, mulheres, que sabemos a dor e a delícia de sermos o que somos, o que vivemos e o que sentimos. Vamos esclarecer conceitos, limpar rótulos e gritar que a luta por igualdade de direitos, desde a simbólica queima de sutiãs, segue firme e forte. Para quem não entendeu, vamos ser literais”, começou a apresentadora Fernanda Lima.

Diferente dos programas anteriores, desta vez foram formadas duas bancadas. Na primeira delas, os jurados da temporada Mariana Santos, Otaviano Costa, José Loreto, Regina Navarro Lins e Dudu Bertholini, além de Eduardo Sterblitch e as duas convidadas da noite, as cantoras Gaby Amarantos e Karol Conká.

Ao lado, uma bancada com mulheres que, na prática, trabalham e estudam teoria feminista. Entre elas, Djamila Ribeiro, pesquisadora na área de filosofia política e feminista.

Na plateia, convidadas que se envolveram de diferentes formas com a luta das mulheres, gravando vídeos para o YouTube, criando grupos de discussões ou organizando manifestações.

Por fim, Elza Soares, fez uma participação especial cantando ao lado de Karol Conká, a música “Tombei”, famosa por retratar o empoderamento feminino. A sambista encerrou o programa com a música “Maria da Vila Matilde”, letra que estimula mulheres a denunciarem a violência doméstica.

Do começo ao fim, o programa trouxe assuntos importantíssimos para a emancipação feminina e dentro e fora da televisão devem ser debatidos até a exaustão, até que não precisemos mais falar sobre eles. Veja quais foram e a sua importância para que as mulheres sejam tratadas com igualdade.

Mulheres no mercado de trabalho
Talvez pelos números absurdos apresentados, o debate que tenha mais chamado atenção tenha sido sobre a maneira como as mulheres são inseridas no mercado de trabalho. Fernanda Lima mostrou números reais, porém chocantes. Hoje, no Brasil, uma mulher ocupando o mesmo cargo de um homem, exercendo as mesmas funções, ganha 30% a menos. Djamila ainda aprofundou a questão: quando essas mulheres são negras, a diferença salarial chega aos 70%.

Além de ganharem menos, as mulheres ainda têm menos oportunidades de crescer. De todos os cargos de chefia das maiores empresas do mundo, apenas 5% são ocupados por pessoas do gênero feminino.

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As especialistas convidadas pelo programa colocaram como solução, além de políticas públicas de incentivo, medidas das próprias empresas para solucionar ou minimizar esse abismo. Além de não enxergar a licença-maternidade como um empecilho para a ascensão profissional de uma mulher, é importante ainda que elas estimulem os homens a dividirem verdadeiramente o cuidado com os filhos, desde a licença-maternidade até as funções mais práticas e cotidianas, como idas a consultas médicas e reuniões escolares. Assim, não sendo a mãe a única responsável pela criança, ela consegue se dedicar igualmente a carreira.

Mulher na política
Outro dado que contribuiu para a surpresa do público foi o número de mulheres ocupando cargos políticos. A apresentadora contou que de todas as vagas da câmara dos deputados, pouco mais de 10% são ocupadas por mulheres. No Estado de São Paulo, dos 645 municípios, apenas 72 elegeram prefeitas mulheres nas últimas eleições.

 Liberdade sexual

Já frases como “se estou nua ou vestida, você só me toca se eu quiser”, “mulher preta não é só para sexo”, “se eu quiser, dou na primeira vez”, “minha roupa não é um convite” foram ditas em alto e bom tom por dançarinas e convidadas para debater o controle e o julgamento da sexualidade das mulheres.

Isto porque, ainda hoje, mulheres são julgadas pelas roupas que escolhem e são culpabilizadas pelos abusos dos quais são vítimas. A origem dos diferentes problemas é a mesma: a maneira como a sexualidade feminina é tratada pela sociedade, que não aceita o direito que a mulher tem em sentir prazer e nos divide em grupos de “mulheres para casar” e “mulheres para transar”.

Autoconhecimento e prazer

Uma das consequências desse controle da sexualidade feminina também foi abordado. Desde cedo, as mulheres foram ensinadas de que o prazer não é para elas e, portanto, o sexo é “sujo”. É por isso que muitas não conhecem seu corpo, não sabem como gostam de sentir prazer. Para tratar o tema com naturalidade, um personagem apareceu de clitóris, dançando. “Amiga, não finja orgasmos”, disse uma das dançarinas durante outro quadro.

Violência contra a mulher

A participação de Elza Soares também trouxe ao programa o tema da violência contra a mulher e a necessidade de combater essa triste realidade.

Na música “Maria da Vila Matilde”, a sambista narra a história de uma mulher vítima de violência doméstica que diz ao seu agressor que não vai mais aceitar essa situação e que, caso ele tente mais uma agressão, ela vai denunciá-lo. “ Cadê meu celular? Eu vou ligar pro 180. Vou entregar teu nome e explicar meu endereço. Aqui você não entra mais. Eu digo que não te conheço e jogo água fervendo se você se aventurar (…) Cê vai se arrepender de levantar a mão pra mim. E quando o samango chegar, eu mostro o roxo no meu braço, entrego teu baralho”, cantou.

Homofobia e transfobia, que já tinha sido temáticas de edições anteriores, foram novamente abordados como formas de violência contra a mulher.

União entre mulheres

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Por fim, juradas e convidadas disseram sobre a importância de as mulheres praticarem a sororidade, tentando se colocar no lugar da outra, evitando julgamentos que se relacionem com o gênero e defendendo umas as outras. “Mexeu com uma, mexeu com todas”, clamou Mariana.

Fonte: Bolsa de Mulher

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