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Tight lacing: vale tudo para ter uma cintura fininha?

Atualizado em: 10/04/2015

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Ir além dos limites do corpo em nome da estética é atitude reprovada por médicos e pelos profissionais que oferecem o serviço de diminuição de medidas com espartilho; entenda

 

Kim Kardashian decidiu recorrer ao espartilho para reduzir medidas e anda tão orgulhosa dos resultados que sempre posta selfies mostrando a cinturinha de pilão em seu Instagram. Lindsay Lohan também aderiu ao acessório para esse fim e se exibiu um pouquinho na mesma rede social, mas quis acelerar os efeitos visuais com o Photoshop e acabou sendo motivo de piada. De toda forma, fato é que muitas mulheres desejam uma cintura fininha a qualquer custo – mesmo que seja passando horas apertando as costelas em um corset, na técnica que no Brasil é conhecida como tight lacing (“amarração apertada”).

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“A maioria das mulheres busca no corset uma correção estética pela deformação que as roupas de cintura baixa causaram no corpo feminino nas últimas décadas”, conta Leandra Rios, estilista especializada em espartilhos e dona da grife Madame Sher. “Outras procuram para suavizar o resultado da musculação, que pode deixar a cintura reta”.

Com responsabilidade


Independentemente da motivação, Leandra desaconselha reduções extremas. “Varia de corpo para corpo, mas uma diferença de cerca de 40 cm entre cintura e quadril já é satisfatória”, diz. Ela esclarece, ainda, que não cabe à cliente escolher o tamanho do espartilho (e, logo, a medida que sua cintura terá) e que exige que se passe por uma avaliação com clínico geral e ortopedista para checar se não há contraindicações – se for o caso, a Madame Sher recusa o serviço. “Para que o treino seja seguro, a peça deve ser feita sob medida por um profissional que respeite e leve em consideração a proporção física e o perfil da mulher”, defende.

Treino? Sim: o afinamento da cintura é considerado um treino e exige dedicação e orientação. O corset deve ser usado por seis a oito horas diárias (“a pressão constante e moderada do espartilho sobre o corpo drena o tecido adiposo e fecha os dois últimos pares de costelas, as ‘costelas flutuantes’”, justifica a especialista) e, quando não o estiver vestindo, a mulher precisa fazer abdominais de compensação, para evitar a perda de tônus muscular.

O apertar é aumentado gradativamente, e os resultados aparecem nos três primeiros meses. Quando se chega ao ponto desejado, a mulher deverá usar a peça sem redução por seis meses, para fixar – como se faz com aparelhos ortodônticos, por exemplo.

Médicos desaprovam


Mesmo com todos os cuidados, os médicos que cuidam das áreas do corpo afetadas pelos espartilhos de redução torcem o nariz para o tight lacing. “É uma moda que deveria ter acabado com a Maria Antonieta, mas sempre aparece alguém para reavivar isso”, lamenta o angiologista e cirurgião vascular Bonno Van Bellen, do Hospital Beneficência Portuguesa.

O principal problema que o médico destaca é a dificuldade do retorno do sangue das pernas para o coração. “Quando o sangue é bombeado, desce até as extremidades inferiores do corpo pelas artérias e precisa subir pelas veias. Um espartilho superapertado na cintura faz com o retorno venoso seja dificultado e com que fique sangue concentrado nas pernas”, explica.

O resultado nunca é bom, ele diz: “No mínimo será um inchaço bem incômodo nas pernas, tornozelos e pés, mas pode ser algo mais sério, como varizes, e até algo mais dramático, como trombose”.

O sistema respiratório e a formação óssea também sofrem muito com o tight lacing. Cirurgião torácico e membro do Intor (Instituto do Tórax, em São Paulo), Benoit Jacques Bibas detalha o que ocorre: “Os espartilhos fazem pressão justamente na transição entre o tórax e o abdome, entre a 11ª e a 12ª costelas, e sobre o diafragma, que é responsável por 60 a 70% da respiração. Com a maleabilidade do diafragma comprometida, a mulher não consegue respirar direito e pode até desmaiar”.

Outro ponto de preocupação para Bibas é o impacto da prática na postura. “As costelas flutuantes realmente podem ter a posição alterada, mas isso é mais uma deformação do que uma remodelagem. Essa alteração localizada reflete em dores nos quadris e na lombar. Em médio e longo prazo, ou seja, na velhice, isso será muito sentido”, afirma.

Para finalizar, o médico do Intor faz um lembrete: “A função primordial da caixa torácica é proteger os órgãos internos, como os pulmões, o fígado e o baço. As costelas não foram feitas para serem comprimidas dessa forma. Se o corpo tem um formato, é porque precisa ter esse formato”.

Fonte: Da Redação com delas.ig

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