Beleza e Moda

Saiba mais sobre a história do biquíni

Atualizado em: 10/03/2013

biqu%C3%ADni_1a

A criação do biquíni como o conhecemos hoje data de 1946. Dois estilistas franceses disputam sua criação: no mesmo ano, Jacques Heim e Louis Réard criaram um modelo de vestuário para ser usado na praia que consistia em duas peças. Jacques Heim chamou sua criação de atome (átomo em francês), uma referência à partícula que até então acreditava-se ser a menor do universo. Mas foi o nome dado por Louis Réard que realmente pegou: bikini, palavra que andava em alta na época, tudo por conta dos teste com bombas atômicas que o exército norte-americano vinha realizando no Atol de Bikini, um grupo de ilhas localizadas no Oceano Pacífico.

Como já era de se esperar, o biquíni causou furor e gerou polêmica, tanto que Réard precisou contratar uma stripper, Micheline Bernardini, para posar para as primeiras fotos com a peça. Nenhuma modelo aceitou vestir trajes tão minúsculos. A primeira imagem da criação de Réard data de 5 de julho de 1946.

“Antes disso, já existiam registros do uso de duas peças, mas o que caracterizou a criação de algo novo foi que os dois estilistas franceses expuseram o umbigo. Pouco se fala sobre essa diferença, mas é importante ressaltar que duas peças e biquíni não são a mesma coisa. O duas peças é um pouco maior, tem o top mais longo e a calcinha cobre o umbino. Já o biquíni deixa o umbigo à mostra”, explica o historiador João Braga, professor de moda das faculdades Santa Marcelina e Faap, em São Paulo, e co-autor do livro História da Moda no Brasil (editora Pyxis).

No Brasil, a peça desembarcou em 1948. Por mais incrível que possa parecer, não foi uma brasileira a primeira a usar o biquíni. Miriam Etz, uma artista alemã que vivia no Rio de Janeiro com o marido, achou que o biquíni era perfeito para o calor carioca e o vestiu para a ir à praia do Arpoador. Ela causou um furor absurdo, é claro! “Esse fato serviu como um divisor de águas para a história do Rio de Janeiro. Com o surgimento do biquíni, a praia de Ipanema começou a ganhar a fama de transgressora e moderna, em contraposição com a tradicional Copacabana”, diz João Braga. Antes de Miriam Etz, a dançarina Eros Volúsia já havia usado um duas peças em suas apresentações nos teatros por volta dos anos 1930, mas Miriam foi a responsável por levar a moda para as areias.

Mais de 20 anos depois, nas mesmas águas de Ipanema, outra mulher foi responsável por finalmente popularizar o biquíni. Em 1971, a atriz e modelo Leila Diniz escandalizou ao aparecer grávida e de biquíni na praia. Era o fato que faltava para que a peça ganhasse projeção nacional. A partir da década de 1970, o Brasil começou a produzir biquíni, e as criações nacionais começam a ganhar projeção internacional. Principalmente após a invensão da tanga, fato creditado à modelo Rose di Primo. “Ela havia encomendado uma fantasia para uma festa do Havaí, mas a calcinha ficou pequena. Como não havia mais tempo para fazer ajustes, Rose cortou as laterais, colocou cordões e amarrou. Nascia a tanga. Rose chegou a ser capa da revista alemã Stern depois disso”, conta João Braga.

Cenário atual

O Brasil, com sua vasta costa e seu clima tropical, tem vocação natural para a moda praia. Não à toa, o biquíni é um dos principais produtos que ajudam a dar identidade à moda feita no país e a ELLE Brasil está investindo na segunda edição do ELLE Summer Preview. Além do biquíni, o Brasil faz sucesso no exterior como grande produtor de moda praia no geral, o que incluí maiôs, saídas de praia e até o que costuma-se chamar de moda surf. “Graças ao biquíni, o Brasil se tornou um grande exportador de moda, mas muito além disso, o país ganhou importância como exportador de um lifestyle”, diz João Braga.

Elle

Beleza e Moda