Beleza e Moda

Renda Renascença recebe selo de Identificação Geográfica do Cariri Paraibano

Atualizado em: 07/10/2013

renascen%C3%A7a

Renda Renascença recebe selo de Identificação Geográfica do Cariri Paraibano
A IG ajuda a manter os padrões de qualidade do produto e impede que outras pessoas utilizem indevidamente o nome da região em produtos ou serviços

A expressão “vinho do Porto” designa a qualidade do produto pelo lugar que foi fabricado. Para um produto chegar nesse nível existem controladores como o Instituto Nacional da Propriedade Industrial (INPI). A Paraíba ganhou o segundo selo do Estado através do INPI, em setembro deste ano. A partir de agora, todos conhecerão a potência da Renda do Cariri Paraibano. É a renda Renascença, que recebeu o certificado de Indicação Geográfica (IG).
O registro conferido pelo INPI à região do Cariri foi publicado na edição nº 2229 da Revista da Propriedade Industrial (RPI). O primeiro grupo paraibano seleto a ganhar o selo foi de artesãs dos produtos têxteis de algodão naturalmente colorido da Paraíba.
Segundo o gestor do projeto de artesanato do Sebrae em Monteiro, João Jardelino, a Indicação beneficiará o Cariri como um todo. “A partir desse deferimento, o nome Cariri paraibano será difundido no mundo, beneficiando as rendeiras e também o turismo e a gastronomia”, comentou. Ele acredita que a aquisição do selo provocará um impacto social na região porque a atividade frequentemente é a única que garante renda às mulheres.
“A Renascença é tradição secular e queremos mantê-la. Esse selo vai abrir mercados e proporcionar novas possibilidades de negócios. Por ser um trabalho artesanal com apelo forte no mercado internacional, principalmente no europeu, surgirão mais oportunidades. Esse processo vai conferir uma proteção contra falsificações ou denominações inapropriadas”, disse Jardelino.
O selo, além de um reconhecimento, é uma ferramenta legal. As cidades que integram a delimitação geográfica que podem receber o selo são Congo, Prata, Sumé, Monteiro, Zabelê, Camalaú, São Sebastião do Umbuzeiro e São João do Tigre. O Conselho das Associações, Cooperativas, Empresas e Entidades vinculadas a Renda Renascença do Cariri Paraibano (CONARENDA) é a entidade responsável pelo IG.
Ele abrange as associações e cooperativas de renda Renascença da região do Cariri, que fazem parte da delimitação geográfica. A presidente da CONARENDA, Núbia Pinheiro, disse que as rendeiras estão realizadas. “Foi uma honra sermos escolhidas. É o reconhecimento de todos esses anos do nosso trabalho”, comentou. Elas se reunirão em breve para decidir o dia de receber o certificado em Brasília. Com ele, elas pretendem colocar etiquetas com o selo nas peças ainda este ano.
Lucro – A expectativa é que o selo traga também um aumento na renda financeira das artesãs. Inseridas nas associações e cooperativas, estão cerca de 500 famílias. A remuneração média mensal é de R$400. O objetivo é que as rendeiras alcancem um salário mínimo. A certificação do INPI terá um impacto significativo para atingirem esse objetivo.

A parceria com o Sebrae é antiga. A partir do Projeto Renda Renascença, desenvolvido pelo Sebrae em Monteiro, capacitando essas mulheres na parte técnica e gerencial, como também estimulando o acesso a novos mercados, a remuneração recebida pelas rendeiras aumentou consideravelmente.

Certificado – A IG é um certificado que atesta a procedência regional e a qualidade de um produto, garantindo proteção e diferenciação no mercado. Isso porque, ao delimitar a área de produção e restringir o uso do produto aos produtores da região (normalmente reunidos em entidades representativas), a IG ajuda a manter padrões de qualidade. Impede que outras pessoas utilizem indevidamente o nome da região em produtos ou serviços.

A introdução da Renascença na Paraíba se deu através da artesã Elza Medeiros, natural do município de São João do Tigre. Lala, como era chamada, conheceu a arte de fazer renda pela amizade com uma moça chamada Mara Pastora, que aprendera o ofício artesanal com freiras francesas na cidade de Olinda (PE). As duas fizeram as primeiras rendas da Paraíba, há mais de um século.

Fonte: Assessoria Sebrae/PB
 

Beleza e Moda