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Hot stuff: Christopher Alexander

Atualizado em: 06/12/2013

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De um ano para cá, o nome de Christopher Alexander começou a aparecer, sempre ligado a marcas bacanas. O designer de 28 anos está por trás das peças de impacto que já foram vistas em coleções, parcerias e desfiles de grifes como André Lima, Neon, Alcaçuz, Alê Brito e Valérie Ciriadès. E é justamente essa diversidade que o torna interessante — perceber como um mesmo designer consegue criar para Alcaçuz e Alê Brito, duas empresas com necessidades tão distintas, sem perder seu DNA. Seus brincos enormes, braceletes e acessórios para o cabelo já estão sendo reconhecidos por uma mistura bem característica entre formas, cores e materiais.

Christopher começou como vendedor da marca As Gêmeas quando ainda era um garoto e hoje está focado no desenvolvimento de sua marca, que ainda tem uma estrutura muito pequena, mas com um futuro certamente próspero. Conheça mais abaixo sobre Christopher Alexander, designer em ascensão.

Como você entrou na área de design de acessórios?

Comecei trabalhando como vendedor da marca As Gêmeas, na galeria Ouro Fino, em São Paulo. Como a gente tinha uma relação muito próxima e elas participavam da Casa de Criadores, me perguntaram se eu não queria desenhar um acessório para desfile. Fiz apenas um brinco, mas deu super certo. Na temporada seguinte fiz de novo, em quantidade maior: uma pulseira, um brinco e uns broches – que venderam bem. No total, desenhei oito coleções pra As Gêmeas. Só que naquela época criar era um hobbie e não o foco da minha vida. Ainda cheguei a trabalhar com várias outras coisas, até produção de figurino. Fiz um curso de design de joias na Escola PanAmericana e comecei a trabalhar com a joalheira Camila Sarpi. Por lá fiquei até que decidir criar a minha marca. Levou um tempo todo esse processo.

E quando foi criada a sua marca?

Apresentei minha primeira coleção na Casa de Criadores em 2011 e em setembro daquele ano já comecei a comercializar as peças.

E em seu processo criativo, vi que você se inspira muito em artes plásticas, artes decorativas, filmes, livros, teatro…

É, na realidade não gosto de usar outra joia ou uma peça de outro designer pra me inspirar. Não fico olhando coleções de outras marcas nem nada, porque fica fácil você cair na cópia assim. Busco inspiração em outras coisas.

Mas aí no caso, o que você tenta absorver desses filmes e livros é mais um comportamento, uma atitude que encontra neles ou um conceito estético?

Acho que é tudo. Desde a coisa mais abstrata da sensação que o filme me causa, até algo mais estético.

Existe alguma década da qual você gosta mais?

Gosto de todos os períodos da história da arte, mas desde o começo da minha carreira até hoje, acho que as décadas que mais entram no meu trabalho são as da virada do século, a Belle Époque, Art Noveau e depois o Art Déco, anos 20, 30, 40.

No momento em que você vai criar algum acessório, qual é o perfil de mulher que você imagina que usaria aquela peça?

Tento não definir muito isso. Não é uma preocupação pra mim. As pessoas que usam os meus brincos em primeiro lugar são as minhas amigas mais próximas, então se elas gostam, eu já fico mais tranquilo.

Quando você desenha seus acessórios, você pensa na possibilidade de um homem usá-los?

Até penso nessa possibilidade, mas acabo não criando especificamente peças para homens. O Dudu Bertholini, por exemplo, sempre usa meus brincos. Mas ele é uma pessoa que não tem muita barreira de gênero. Talvez eu até faça versões menores de alguns brincos…

O seu negócio ainda é jovem, mas você já faz muitas parcerias. Como funcionam esses processos?

A minha primeira parceria após As Gêmeas foi com a Valérie Ciriadès. E rolou uma identificação entre a gente. Foi muito fácil porque entendi o que ela queria e foi uma delícia o processo de fazer algo juntos. Em todas as marcas com as quais trabalhei, tive liberdade para criar. Eles me passam um briefing, eu faço e eles aprovam o desenho. A única vez em que precisei que me adaptar mais ao mercado da marca foi com a Alcaçuz, que é maior, tem lojas em shopping e um público bem definido. Mas pra mim, foi ótimo, é uma coisa que eu gosto. Outra parceria que me marcou foi com o André Lima, porque foi minha primeira colaboração com uma marca do SPFW e deu uma repercussão grande.

Vendo suas peças, é possível perceber que os materiais são relativamente simples e se contrastam com o rebuscamento das formas. Você pensa em explorar mais materiais ou gosta desse contraste do metal mais liso com o desenho extravagante dos acessórios?

Eu gosto, o que não me impede de buscar novos materiais. Na Alcaçuz trabalhei com o acrílico, que era algo que eu nunca tinha usado antes. Gosto muito de vidro, cristal, mas o material não é a minha primeira preocupação. Ele acaba sendo o desdobramento de algo que eu quero.

Como é o tamanho da sua equipe?

Eu não tenho ninguém trabalhando comigo diretamente. Só a minha sócia, que cuida mais da parte financeira e administrativa da marca, o que é muito importante, porque não tenho cabeça pra fazer planilha, contas, essas coisas. E se eu não tivesse ela na minha vida, meu business não ia rolar. Não tenho ninguém, e nem penso em ter alguém tão cedo. Acho que pra quem está começando, é super importante se manter o mais enxuto possível. Não tenho loja ainda, quero ter um ateliê antes, mas sei que agora não é o momento. É mais uma questão mesmo de evitar gastos fixos. Mas já tenho prospectado uma oficina para o caso de ter algum pedido grande, de forma que eu consiga cumprir os prazos de entrega.

Onde podemos encontrar seus acessórios?

Na Loja Choix, no Liceu de Maquiagem e no meu e-commerce.

 

 

Fonte: FFW

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