Beleza e Moda

Bella Falconi: “Vivo entre o estar ou não satisfeita com meu corpo”

Atualizado em: 08/05/2014

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Se você é antenado em redes sociais e fitness, provavelmente já ouviu falar de Bella Falconi. Conhecida na web como “musa do abdômen trincado”, a empresária de 28 anos já acumula mais de 860 mil seguidores no Instagram, no qual mostra diariamente seus treinos diários e dá dicas para quem pretende alcançar a boa forma. Porém, seu foco – faz questão de ressaltar – não é na estética, mas sim na saúde e bem-estar.

Em passagem pelo Brasil pra um ciclo de palestras (da qual é idealizadora) sobre o assunto, ela posou como nova garota-propaganda da marca fitness Live!.Glamour colou na empresária, acompanhou o ensaio com exclusividade e durante o almoço conversou com a bela (sim, com trocadilho e tudo) sobre a relação de saúde, fitness e estética:

Glamour Brasil: Como começou sua paixão por fitness?
Bella Falconi:
 A primeira vez que fui para academia tinha 17 anos, por pura curiosidade, mas não segui adiante. Anos depois, quando eu já estava morando fora, levava um estilo de vida todo errado: comia muita besteira, vivia de McDonalds e Coca-Cola, teve uma época que por falta de grana eu comia apenas Cup Noodles, nos exames de sangue as taxas davam alteradas e, apesar de ser magra, meu colesterol estava muito alto e tive pedra nos rins várias vezes. O pior é que eu achava isso normal. Uma vez hospedei uma amiga que era atleta fitness e fiquei muito impressionada com o corpo e a pele dela. Então, aos poucos ela foi me dando uns toques e despertou meu interesse em exercícios. Como eu sofria muito com autoestima baixa desde a infância, vi naquilo uma chance de me resgatar e, quem sabe, ficar satisfeita comigo mesma. Foi muito difícil no começo por se tratar de uma mudança drástica, mas prometi pra mim mesma que, se resistisse à primeira semana de treinos, ia levar como hábito. Tomei paixão pela coisa em 2011 e levo tudo como hábito até hoje.

Às vezes dá a impressão de que pessoas musculosas pesam mais. Você concorda?
Sim, músculo pesa mais do que gordura. Mas acontece muitas vezes da pessoa estar mais magra, seca, e isso faz com que pareça mais musculosa do que é. Por exemplo, quem me vê nas fotos acha que sou gigante. Quando me conhecem, falam ‘nossa, como você é magrinha’ (risos), porque tenho 53 kg, 12% de gordura e apenas 1,60m de altura. Essa sempre foi minha genética. Eu sofri bullying na escola por ser magra demais. Quando comecei naquela fase de comer só besteira, criei uma barriguinha flácida, mas não passou disso.

Atualmente você está satisfeita com suas medidas?
Eu vivo, há três anos, entre o estar e não estar satisfeita. O não estar porque, se eu fosse parar pra pensar que estou bem, entraria na minha zona de conforto, iria relaxar e não pode. Cuidar bem do nosso corpo é um trabalho contínuo, como hábito de vida mesmo. E o estar porque gosto de agradecer pelos resultados adquiridos. Não adianta entrar naquela nóia de querer sempre mais e acabar se martirizando. Tem que achar um ponto de equilíbrio entre as duas coisas.

 

Já passou por alguma situação de comentários chatos por ser musculosa?
Sempre rola, isso é muito normal, porque a gente vive num mundo muito cruel, que rotula as pessoas e impõe padrões criados pelas tendências de mercado. Como nos anos 90, que a moda mostrava chiquérrimo ser anoréxica. Agora a moda é ser fitness. Então é tudo padrão, ilusão. Por isso que eu nunca falo pras pessoas que elas precisam ser saradas. O que precisam é ser felizes como são, levando uma vida saudável. Mesmo assim, é óbvio que não dá pra escapar dos olhares. Até nos EUA – onde eu moro – quando vou ao shopping, tem olhares de admiração, de curiosidade e de reprovação.

 

E nas redes sociais?
Até que as críticas têm diminuído bastante. Teve uma época que era constante, eu sofria demais. Como o fitness está virando uma febre mundial, as pessoas meio que estão absorvendo e não criticam tanto como antigamente. Espero que chegue um tempo em que acabe. Críticas, tanto quanto para quem está gordinho, quanto para quem é magérrimo, as pessoas sempre vão receber. No começo os comentários me incomodavam muito, até que eu me aceitei por completo e hoje em dia eu sei quem sou, não o que a sociedade fala de mim.

 

Você já pensou em ser fisiculturista?
Já competi uma vez, e ganhei meu primeiro campeonato, após me preparar por quatro meses, na Flórida. Ganhei duas categorias, embora tenha sido algo muito mais pela experiência. Por livre e espontânea pressão dos meus seguidores, na verdade (risos). É que nos EUA o fisiculturismo é uma história muito forte, o esporte nasceu lá. Então quando me viam na academia, todos insistiam para que eu competisse. Fui, participei, mas esse não é o foco do meu trabalho. O que eu quero é mostrar para as pessoas que dá para ter um shape legal, sem ser atleta, e com saúde. Como eu fiz, sem precisar tomar anabolizante ou hormônios.

 

Acha que mulheres musculosas – até mesmo as fisiculturistas – perdem a sensualidade e ficam masculinizadas?
Não, porque isso é algo que está muito mais no comportamento da mulher do que na forma física. Se ela se sente sexy, se apresenta assim, o mundo compra a ideia. Se você se aceita e se acha linda e é bem resolvida, a sociedade também te vê com esses olhos.

Você posaria nua?
Não, jamais. Já recusei convites, mas não aceitaria nunca. Não é esse o objetivo do meu trabalho.

Já saiu com algum homem menos musculoso do que você, que tenha gerado uma situação engraçada?
Não porque eu sou pequenininha, né? Então é muito difícil ficar com um homem ainda menor do que eu (risos).

 

E como é tua dieta?
Supernormal. Costumo brincar que não como nada que não tenha mãe, não venha da árvore ou do solo. Então todo alimento natural, me serve muito bem. Desde que não tenha conservantes ou processos industriais pesados. Como carboidratos como arroz integral, batata-doce, grãos em geral. Acho engraçado as pessoas terem aquele mito de que fruta engorda. O que engorda é McDonalds, desculpa dizer, gente. Frutas a gente precisa. Gosto muito também de proteínas de peixes, como salmão, e também de ovo. Devo comer umas 15 claras de ovos por dia, juntas em omeletes. Como frango e, apesar de não comer carne vermelha, consumo azeite, óleo, etc. A cada oito ou 10 dias, me permito comer num dia alguma coisa que eu goste: uma torta, ou brigadeiro, por exemplo. Mas não tenho nada de neurose também. Se me der vontade de comer um brigadeiro agora, vou comer, porque tenho sensatez de comer apenas um pedaço. É melhor do que ficar sofrendo na vontade.

 

Você acabou sendo mais uma famosa rotulada, a exemplo da Candice Swanepoel com a “barriga negativa”. O que acha disso e do título de “Musa do abdômen trincado”?
Isso, infelizmente, é algo que nunca vai mudar. A Carol Magalhães e Buffara, a Candice Swanepoel, Yasmin Brunet, todas elas são magrinhas. Nasceram assim e é da genética delas. Isso não quer dizer que sejam doentes, mas sim que se aceitam como são. E estão certíssimas de não mudar para agradar aos outros, mas sim melhorar de acordo com a saúde. Não me importo com o rótulo de “Musa do abdômen trincado”, até acho legal, mas não falo muito nisso nem uso esse título. Se eu fizesse isso, ia dizer para a sociedade que o abdômen trincado é o legal e necessário. E não é! Cada um tem que ser feliz do jeito que é. Conheço gente que diz que queria meu abdômen, mas não tem minha disciplina. Quando fiquei assim, é que minha prioridade foi maior do que minhas desculpas. Mas se você está feliz dentro dos seus padrões, limites e saúde, não existe ninguém que vá determinar que você precisa ser igual a mim, a Candice ou qualquer outra pessoa. É muito triste alguém só ser feliz se parecer outra pessoa. Um recado para as leitoras da Glamour: vão ser felizes e bonitas, do jeito que gostam e são!

 

Fonte: Glamour Brasil

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