Beleza e Moda

Abelha-rainha: best-seller Colmeia e as contradições da amizade entre mulheres

Atualizado em: 04/05/2014

abelha2

“Uma abelha não é abelha.” À primeira vista, o provérbio soa confuso, mas é mais claro do que parece. Abelhas dependem umas das outras e, sobretudo, de uma organização social. São animais políticos que, juntos, escolhem uma rainha e vivem para ser seus escravos. Colmeias já foram objeto de fascínio de Aristóteles e Tolstói por serem controladas por fêmeas. São elas que alimentam e protegem sua rainha. Até o dia em que se cansam e resolvem matar sua líder. Paradoxal? Talvez. Mas completamente – e humanamente – feminino.

Foi esse o insight que Gill Hornby, uma produtora aposentada da BBC de Londres, teve há pouco mais de dois anos, quando assistia com a caçula de seus quatro filhos à comédia adolescente Meninas Malvadas. O filme a fez lembrar de cenas de porta de escola, quando ela se juntava a outras mães, que também esperavam seus filhos, e ouvia suas conversas. “Percebi que a temática é universal: assim como as abelhas, as mulheres precisam umas das outras para viver bem. Essa amizade muitas vezes pode ser supercontraditória, ignorando idade e lugar.” A partir dessa constatação, Gill lançou na Inglaterra um dos maiores fenômenos editoriais de 2013 no país, o romance Colmeia (Record,R$40), que chega aqui no fim do mês.

Irmã de Nick Hornby, autor de clássicos contemporâneos como Alta Fidelidade, Gill também assume uma escrita pop. O best-seller, que já teve seus direitos vendidos para o cinema, gira em torno das mães de alunos de uma escola inglesa amantes de um zum-zum-zum. Há Bea, a abelha-rainha, mandona e estratégica; Heather, a puxa-saco; Rachel, a protagonista, abandonada pelo marido; e Georgie, advogada que trocou uma carreira promissora pela vida de mãe e a única que tem um bom relacionamento com o marido. Enquanto as crianças estão na escola, essas mães passam o tempo organizando almoços, indo às aulas de Pilates, falando mal umas das outras e, claro, paparicando a líder Bea. “Por essa necessidade de nos unirmos em grupos de mulheres, criamos também a demanda por uma dominadora. Com uma líder, uma ‘abelha-rainha’, tudo fica mais organizado”, acredita Gill. “Mas é daí também que surgem os problemas, já que o poder corrompe”, completa, justificando o livro recheado de intrigas deliciosas.

 

Fonte: Vogue

Beleza e Moda