Artes

Reflexão sobre o espetáculo ‘Estações’

Atualizado em: 02/02/2017

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Nos últimos dias 28 e 29 desse mês, alunos da Escola Livre de Circo Djalma Buranhêm fizeram sua apresentação de conclusão de curso. O evento ocorreu no teatro Paulo Pontes, na Fundação Espaço Cultural. Confira a seguir uma crítica do espetáculo feita pelo ator e diretor paraibano Jucinaldo Pereira:

“A linha que une o polo Norte ao polo Sul é um eixo imaginário no grande planeta terra. A inclinação desse eixo provoca, em certas épocas do ano, que um hemisfério receba a luz do sol mais que o outro. Simples, isto é a principal causa das ESTAÇÕES do ano: primavera, verão, outono e inverno. Cada estação tem suas características e peculiaridades que certamente já conhecemos.

Por outro lado e coincidentemente, a arte cênica possui um eixo imaginário que percorre no interior do artista. A inclinação desse eixo provoca em certos artistas, que alguns recebam a luz do palco mais que outros. Simples, isto é a principal causa da multipluralidade dessa arte: Teatro, dança, circo e ópera. Cada linguagem tem suas características e peculiaridades que certamente já conhecemos

Mas parece que os diretores do espetáculo ESTAÇÕES, Ulisses Nogueira e Marinalva Rodrigues souberam tratar de forma sensível às peculiaridades e diferenças de seus alunos em palco. O que deveria ser uma mostra do resultado final de curso transformou-se numa belíssima apresentação das artes cênicas. A platéia que presenciou esse trabalho, não conseguiu separar as estações do ano e nem as linguagens das artes cênicas. O que se viu foi o resultado de um processo pedagógico aplicado a talentosos alunos, que no calor da belíssima luz, planejada e executada pelas talentosíssimas mãos de Marinalva Rodrigues, fizeram que o público silenciasse a voz da ópera e abraçasse todas as características de uma única estação.

A pedagogia de Célestin Freinet se interessava pela individualidade do aluno. Ele tinha o hábito de registrar o comportamento de cada criança que julgava interessante por meio de situações de sucesso ou fracasso. Mesmo sem saber a metodologia que norteou esses diretores, o espetáculo ESTAÇÕES me fez enxergar a prática desse grande pedagogo. Ulisses Nogueira e Marinalva Rodrigues souberam de forma inteligente e sensível aproveitar as características de cada sol, chuva, flores e folhas que estiveram com eles durante todo o curso. Souberam plantar, regar, cultivar e colher muito bem a individualidade de cada aluno em um processo coletivo.

A sensação térmica dentro do teatro ultrapassou todos os estágios e sensações da consciência humana e artística ao perceber que ainda é possível mudar o mundo através das artes. A temperatura que mede as estações bateram todos os recordes ao certificar que a arte transforma vidas.

Viva a Escola Livre de Circo Djalma Burinhêm e todos os seus idealizadores! Viva a arte que saúda todas as estações”.

Jucinaldo Pereira

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