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Filme sobre desrespeito com mulheres faz sucesso na web

Atualizado em: 09/03/2014

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A Estátua da Liberdade e a própria palavra são femininas. Mas, no dia a dia, são os homens, bem mais que as mulheres, que andam à vontade, despreocupados.

Cuidar das crianças? Fazer as compras para casa? Além do trabalho, toda essa trabalheira fica bem mais para elas. Fora a obrigação de estarem na moda, belas, atraentes…
Mas e se fosse ao contrário? E se fossem os homens a aparecerem quase nus em tudo quanto é banca de jornal? E nas propagandas? Um mundo onde o poder se conjugasse no feminino?

Eleanore Pourriat é uma cineasta francesa e fez um curta metragem brincando com isso. Ela o colocou na internet e, no mês passado, de repente, ele bombou: mais de três milhões de acessos no mundo todo.
Ela diz que é um mistério essa repercussão e que a ideia era fazer ver o que às vezes parece invisível, principalmente para os homens.

O homem, no caso do filme, é o sexo frágil. Logo no começo, uma mulher diz que não vai explicar uma coisa para ele, porque ele não entenderia. Uma condescendência de quem se acha superior.
Na rua, são as mulheres que correm de peito de fora. São os homens que ouvem gracinhas e palavras agressivas.
São as mulheres que fazem xixi na rua e, quando o homem reclama, um grupinho delas baixa o nível geral. Os comentários são sexuais. A ameaça está presente e, quando o homem se revolta, é atacado e abusado.
Na delegacia, o calvário continua. A policial que o atende pede para um rapaz que pegue um cafezinho, olha para o corpo dele e faz um elogio babão. O homem, traumatizado, espera a chegada da mulher que vai levá-lo para casa. Mas lá fora, é acusado por ela: “Também com esses braços de fora, com essa bermuda, o que você esperava?”.

Eleanor diz que os homens riem quando veem o filme, mas menos que as mulheres, porque elas se identificam, conhecem todas essas situações. Já os homens, se surpreendem.

O filme trata apenas de uma pequena parte do desrespeito e do abuso que as mulheres sofrem no dia a dia, mas não fala nada, por exemplo, de violência doméstica e de desigualdade dos salários. Mas ao inverter os papéis, ele mostra, principalmente para os homens, que o que é normal não deveria ser tão normal assim.

Maxime Cervulle é professor universitário em Paris e especialista nesse tema. Ele diz que que quem se aproveita dessa desigualdade são os homens, são eles que se beneficiam do trabalho doméstico e gratuito, e das várias formas de exploração das mulheres.
As mulheres recebem um tratamento de minoria sendo maioria. Estamos todos no mesmo barco, só que elas em posições bem mais desconfortáveis. Não e à toa que elas querem discutir essa relação.
Fonte:G1

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